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A Copa e Jules Rimet – Por Nicolau Libório

Dr-NICOLAU LIBORIO(AM)

De 1930 até 2026 se passaram 96 anos. Mas a semente de uma competição de importância mundial foi plantada em 1904, quando dirigentes da Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Holanda, Suécia e Suíça criaram a Federation Internationale of Football Association, que passou a ser conhecida pela sigla de FIFA. Logo a seguir, Alemanha, Áustria, Hungria e Itália também se filiaram. A evolução da ideia aconteceu quando a Inglaterra, inventora do futebol, decidiu entrar no jogo. Entretanto, a primeira guerra mundial atrapalhou todos os planos, em 1914. E, por isso, a primeira edição do mundial de futebol só viria acontecer em 1930, quando o Uruguai, país sede, venceu a Argentina, na partida final por 4 a 2. Temos que registrar que foi com a chegada do francês Jules Rimet à presidência da FIFA, que a ideia do campeonato mundial de seleções se materializou.

O Brasil é o único país com presença em todas as edições dos vinte e dois mundiais e está pronto para viver as emoções do vigésimo terceiro. Viveu a experiência do Maracanazo, quando perdeu, em 1950, dentro de casa para o valente e catimbeiro time do Uruguai por dois a um. Nos mundiais conquistados foi comandado por Vicente Feola em 1958, Aymoré Moreira em 1962, Mário Jorge Lobo Zagallo em 1970, Carlos Alberto Parreira em 1994 e Felipe Scolari em 2002. Agora o desafio de conquistar o hexacampeonato está entregue ao italiano Carlo Ancelotti. Ele, com a experiência que tem sabe, perfeitamente, que uma goleada contra o Panamá não representa muita coisa. Ou quase nada. Marrocos, Haiti e Escócia parecem adversários fáceis. Mas nem tudo é o que parece. Por isso é bom ficar atento. O nosso selecionado canarinho no momento não consegue ser a sombra dos grandes times que fizeram história.

Muitos lembram que a primeira Copa aconteceu no Uruguai, onde o escrete brasileiro perdeu para Iugoslávia por dois a um e aplicou uma goleada na Bolívia por quatro a zero. A Iugoslávia, que venceu os dois jogos contra Brasil e Bolívia, seguiu na competição, enquanto o nosso inexperiente escrete voltou para casa, trazendo na bagagem a certeza que ainda tinha muito que aprender. Também para lembrar, o trófeu em disputa foi criado pelo escultor francês Abel Lafleeur, que trazia uma figura alada representando Nice, a deusa grega da vitória. Tinha 30 centímetros e pesava quatro quilos, sendo 1,8 kg em ouro maciço. O vencedor teria posse transitória, por quatro anos, devolvendo quatro anos depois antes do início do certame seguinte, até que o time de um país conseguisse o título três vezes, de forma consecutiva ou alternada. O trófeu que no início foi batizado como Vitória das Asas de Ouro, passou a ser chamado de Jules Rimet, numa justa homenagem ao idealizador da Copa do mundo.

O lado triste dessa história é que o Brasil, vencedor em 1958 na Suécia, 1962 no Chile, e em 1970, no México, não teve o zelo e o mínimo de responsabilidade para preservar o símbolo da meritória conquista. No dia 19 de dezembro de 1983, o trófeu Jules Rimet, que estava em uma vitrine blindada na sede da CBF, foi levado por ladrões, que perceberam que o fundo da vitrine era inteiramente frágil. Não tiveram a menor dificuldade para a execução do furto. O ouro da taça foi derretido, o receptador e os ladrões foram presos e ao povo brasileiro só restou o direito de se lamentar. O pior é que a réplica estava bem protegida num dos cofres da nossa Confederação Brasileira de Futebol, enquanto a original estava exposta, bem exposta. Para reduzir o vexame, a nossa CBF foi agraciada com uma réplica bem idêntica, presente da FIFA. A CBF não teve respeito pela campanha meritória do time liderado por Pelé.(Nicolau Libório é Procurador de Justiça, Ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista – 05.06.2026)