A GUERRA NO IRÃ JÁ AFETA NEGATIVAMENTE A ECONOMIA BRASILEIRA – Por Osíris M. Araújo da Silva

Artigos/economista Osiris- Messias Araujo da Silva(AM)

A escalada da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã vem adicionando pesadas incertezas no cenário político e econômico internacional. Face aos repetidos aumentos que vêm se registrando nos preços dos combustíveis impulsionados pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, o petróleo bruto, cotado antes do
conflito em torno de US$65/US$72, subiu na semana passada mais de 10%, para US$ 119.13 o barril. Inevitavelmente, a disparada nos preços irá impactar seriamente a inflação e manter os juros altos sem previsão de retorno à posição vigente anteriormente à guerra. Definitivamente, juros elevados reduzem o acesso ao crédito, afetando negativamente o consumo das famílias, a renda e o emprego.

A incerteza da conjuntura mundial tende a desestimular investimentos produtivos. Segundo especialistas, a instabilidade do mercado petrolífero é reflexo da alta acumulada de 40% a 50% desde o início dos conflitos. Consequentemente, a guerra já está afetando seriamente o comércio global, e, certamente, as exportações brasileiras do agronegócio. O setor, ressalte-se, é o sustentáculo do crescimento do nosso PIB. Levantamentos
da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) apontam que as exportações deverão sofrer importantes impactos no período do conflito, sobretudo em decorrência de perdas potenciais do agronegócio devido a disparada nos preços dos fertilizantes, aumento nos custos de produção e logística das exportações.

Para a Embrapa, o Brasil é um dos líderes na produção mundial de alimentos. Entretanto, altamente deficitário nesse mercado, importa cerca de 85% do volume de fertilizantes utilizados anualmente. Em 2025, todo o estoque de ureia do país teve origem no exterior, com aproximadamente 41% das importações passando justamente pelo Estreito de Ormuz, segundo a consultoria Agrinvest. Citado por Exame Agro, além das rotas interrompidas, armadores já aplicam taxas adicionais de guerra de até US$ 4 mil por contêiner, enquanto
frigoríficos enfrentam dificuldades de embarque e avaliam reduzir temporariamente a produção destinada ao mercado halal (mundo árabe). Caso a crise persista, parte da carne pode ser redirecionada para outros centros, pressionando ainda mais os preços internacionais.

Outro fator de maior gravidade sobre a conjuntura econômica do Brasil para 2026 diz respeito à Selic (taxa básica de juros da economia brasileira). Mantida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central desde 18 de junho de 2025, foi finalmente cortada para 14,75% no último 17 de março. A medida visou sinalizar movimento destinado a tornar menos onerosa a obtenção de créditos financeiros, limitação que constitui incontornável “freio” para a atividade econômica, daí a taxa de juros configurar o principal instrumento usado pelo BC no controle da inflação. Em comunicado, o Copom salientou que “a decisão é
compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”.

Não obstante à queda, o Brasil segue com a segunda maior taxa de juro real entre as principais economias do mundo, atrás apenas da Turquia. O juro real brasileiro calculado pelas consultorias econômicas MoneYou e Lev Intelligence será de 9,51% — acima de Rússia e Argentina (ambos com 9,41%). O BC informou ao mercado que, face à instabilidade da economia mundial, em 2026 deverá prosseguir a política de desaceleração da atividade econômica, projetando uma alta de apenas 1,8% para o PIB em pleno ano de eleições presidenciais, segundo a mediana de projeções colhidas pelo jornal Valor Econômico. Como fator complicador adicional, o Brasil encerrou 2025 com 76,6% das famílias endividadas, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor divulgada em dezembro pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O cenário para nossa economia, como se observa, não é dos mais alvissareiros. Por conseguinte, sinal amarelo para a ZFM, que está a demandar ações preventivas de governo visando eliminar, ou minizar, danos maiores à nossa economia decorrentes do cataclisma que se forma a partir do Oriente Médio.(Osíris M. Araújo da Silva é Economista, Consultor Empresas, Professor, Escritor e Poeta – osiresasilva@gmail.com) – 23.03.26