
A Associação dos Cronistas e Locutores Esportivos do Amazonas chegou aos 70 anos no último dia 5 fevereiro. O entusiasmo na divulgação dos eventos esportivos deu origem a uma entidade que já mudou o rumo dos ventos no esporte do Amazonas. Surgia num domingo, em 1956, na sede da Associação Amazonense de Imprensa, localizada avenida Eduardo Ribeiro.
Naquele distante dia da segunda metade do século passado o Fast Clube ostentava o título de campeão amazonense do ano anterior, fruto do eficiente trabalho do técnico João Liberal, que por sinal já havia conseguido sair vitorioso nos certames de 1948 e 1949. Em 1955, o Fast foi o grande vitorioso, formando com Raul (Dito), Mário Regina (Gurgel) e Valdemar (Morcego), Zezinho, Dog e Nego; Pereirinha, Orleans Nobre (Marcelo), Paulo Onety, Guilhito e Said (Paulo Lira).
O remo, as corridas pedestres, as lutas de vale-tudo, o basquetebol eram modalidades preferidas da juventude, mas nada se comparava a preferência pelo futebol, que era praticado nos campos do Nacional, do Guanabara, do Rio Branco, do Vila Rica, do Sul América, do Ypiranga, do Piquete, da Usina Labor, da Colina e do Parque Amazonense.
Os cronistas esportivos procuravam dar um destaque especial ao futebol nas páginas dos jornais e nas três emissoras de rádio. A Voz da Bariceia, fundada por Lizardo Rodrigues no final dos anos 1930 virou Rádio Baré em 1943, quando passou a integrar a rede de emissoras dos Diários Associados; a Difusora, fundada pelo jornalista Josué Cláudio de Souza e a Rio Mar, produto do sonho dos irmãos Archer Pinto e do empresário Charles Hamu, envolviam os ouvintes, que passavam a demonstrar simpatia pelas agremiações que mais se destacavam.
Os formadores de opinião pública decidiram criar um órgão para compartilhar das empreitadas das agremiações. Passou, então, a coordenar o Torneio Início, que servia de ponto de partida para a principal competição de cada ano.
O jornalista Manoel Lima, à época apenas um garoto, filho de uma funcionária da Associação Amazonense de Imprensa, presenciou aquele momento histórico. Ouviu os muitos discursos e testemunhou o momento em que o jornalista Irisaldo Godot era empossado no cargo de presidente. Lá estavam também Petrarca Vieira, Flaviano Limongi, Carlos Zamith, Denis Menezes, Oscar Sampaio, Leonardo Parente, Jéferson de Souza, Bianor Garcia, Leal da Cunha, Carlos Carvalho, João Bosco Ramos de Lima,
Álvaro Jorge, Rômulo Gomes, Mansueto Queiroz, Flávio de Souza, José Ribamar Coelho, Guataçara Mitoso, Clóvis Lemos de Aguiar entre outros partícipes.
Clóvis Lemos de Aguiar, que residia na rua Barroso, ficou tão empolgado que resolveu transformar aquele momento numa grande comemoração, reunindo em sua residência quase três dezenas de cronistas para um brinde especial. Ele desejava apresentar aos amigos a recém-nascida ACLEA, sua filha, no dia da fundação da ACLEA, que nascia destinada a promover o sucesso do futebol amazonense.
Durante essas muitas décadas, a ACLEA, que teve no seu comando Guataçara Mitoso, João Bosco Ramos Lima, Jayme Rebelo, Leal da Cunha, Luiz Saraiva, Arnaldo Santos, Flávio Seabra, Valdir Correia, Eduardo Monteiro de Paula, Orlando Rebelo realmente ofereceu importantes contribuições. Foi responsável inclusive pela fundação da Federação Amazonense de Futebol.
A ACLEA emergiu um ano depois de Laércio Miranda, ex-presidente do Nacional, chegar à presidência da Federação Amazonense de Desportos Atléticos. Com Laércio (pai do advogado e ex-cronista Laédio Miranda e do desembargador Lairton Veloso) chegaram o advogado e professor Heleno Montenegro e o jurista Mário Jorge do Couto Vale. Só para recordar: Laércio Miranda mandou no futebol amazonense durante 11 anos, até o dia em que se desentendeu com a crônica esportiva, em 1966.
Recordo com grande prazer o Congresso Nacional da Crônica Esportiva, realizado em Manaus no início de 1982, nas dependências do Hotel Tropical, com a participação de renomados nomes do rádio e do jornalismo do Brasil. O evento, que teve a Adidas como principal patrocinador, aconteceu com pompa e circunstância, com todo requinte idealizado pelo presidente Arnaldo Santos. A abertura, em ambiente refinado, contou com a presença do governador José Lindoso e de autoridades dos poderes Legislativo e Judiciário. E para contar com a participação do público, foi realizado um jogo amistoso entre cronistas, no campo do Sesi. Como atração principal surgiu Zico, para dar o pontapé inicial. Foi um grand finale, apoteótico, espetáculo registrado como um dos maiores da história da nossa septagenária e vitoriosa ACLEA.(Nicolau Libório é Procurador de Justiça aposentado, ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista) – 20.02.26










