
De acordo com estudos da FEAGRO – Federação dos Engenheiros Agrônomos do Mato Grosso, a migração de produtores e indústrias brasileiras para o Paraguai está ganhando importante ritmo escalar. Justifica: com um sistema tributário mais leve, custo operacional reduzido e incentivos fiscais estruturados, crescem os investimentos no país vizinho em busca de mais competitividade e acesso facilitado a mercados externos. Um dos principais atrativos desse novo modelo de negócios diz respeito ao regime Maquila (Lei 1064/97), por meio
do qual empresas instaladas no Paraguai pagam apenas 1% de imposto sobre o valor agregado, além de isenção de tributos nacionais, municipais e aduaneiros sobre insumos e máquinas importados para produção com fins de exportação. Além da redução de custos frente à carga tributária brasileira, o benefício permite elevar consideravelmente a margem de competitividade frente a mercados globais. Cerca de 67% das operações sob o regime de Maquila no Paraguai são de capital brasileiro, e esse número segue crescendo ano a ano, com projetos industriais e logísticos cada vez mais robustos no Alto Paraná e arredores.
No campo logístico, salienta o estudo, “o Paraguai tenta dar um salto decisivo. O governo de Santiago Peña recolocou o tema ferroviário no centro da agenda, com projetos de mobilidade e de integração de cargas que dialogam com a Rota Bioceânica, corredor que ligará o Atlântico ao Pacífico. Há tratativas de cooperação técnica com os Emirados Árabes Unidos, por meio da Etihad Rail, para modernização do sistema ferroviário paraguaio, movimento que pode reduzir custos de transporte e fortalecer o país como plataforma de exportações e importações para toda a América do Sul. O projeto, de US$ 450 milhões, conectará Assunção a Ypacaraí com 11 trens elétricos e 12 estações, visando movimentar 40 mil passageiros/dia. A modernização ferroviária do país é um sinal de alerta e oportunidade. A competitividade do agro agora passa pela saída para o Pacífico. Como dizem os matogrossensos, “quem tem visão global já atravessou a fronteira”.
O Paraguai, é voz corrente no Centro Oeste brasileiro, de fato não compete em escala nem de perto com o Brasil, mas se destaca pela combinação de custo operacional mais baixo, carga tributária simples, logística eficiente para exportação e um ambiente regulatório historicamente favorável ao produtor. A área agricultável é menor, porém ainda há espaço para ganho de produtividade e expansão em regiões consolidadas. Quanto à estabilidade, é um ponto de atenção, mas o país mantém há décadas uma política macroeconômica conservadora, baixa dívida pública e forte dependência do agro, o que tende a sustentar previsibilidade.
Certamente, a eficiência de custos é central — e nesse ponto o Paraguai acaba funcionando como laboratório de gestão mais enxuta.
O agronegócio brasileiro tem presença massiva no Paraguai, controlando cerca de 75% a 80% das terras agricultáveis e introduzindo tecnologias que tornaram o país uma potência na produção de soja e milho. Atraídos por menores impostos, facilidade de crédito e registro desburocratizado de insumos, os “brasiguaios” e
investidores do centro-oeste/sul do Brasil impulsionam o setor, que representa 25% do PIB paraguaio. O país oferece um ambiente de negócios favorável, com menor burocracia para insumos, impostos reduzidos (IVA de 10% e imposto de renda de 10%) e estabilidade econômica. Por essa razão, as empresas de capital brasileiro
dominam o mercado de defensivos e a comercialização de grãos, com grande investimento em tecnologia e maquinário. O Paraguai caminha para recordes de produção, com a safra de soja podendo superar 10 milhões de toneladas. O cenário também atrai o agronegócio paranaense e de outras regiões do Brasil, que veem no
Paraguai uma “nova fronteira agrícola” com condições logísticas facilitadas, apesar de desafios ambientais e conflitos fundiários na região.(Osíris M. Araújo da Silva é Economista, Consultor de Empresas, Professor, Escritor e Poeta – osirisasilva@gmail.com)-Manaus, 23 fevereiro 2026.










