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COISAS DE VELHO – Por Felix Valois

ARTIGO/Advogado Felix Valois(AM)

Na minha idade já não tenho tempo a perder com covardes e outros biltres da espécie. Por isso não vou falar da vergonhosa fuga empreendida por esse poltrão que disputou a presidência. Permito-me dizer apenas que, nesse aspecto, o pai, que também não é flor que se cheire e apesar dos soluços, pelo menos está cumprindo a pena de prisão que fez por merecer. Deixa pra lá. Foi apenas um pesadelo.

Mas já que falei em idade, permitam-me compartilhar uma coisa curiosa, observada por mim durante a campanha. Depois de, a muito custo, conseguirem compreender que me chamar de “comunista” está longe de ser ofensa para mim (muito pelo contrário), alguns bolsomínions resolveram insistir em que sou um “velho”. Acho que chamam isso de “etarismo”. Sou mesmo e estou de inteiro acordo com meu querido irmão Alfredo Cabral para quem dizer que a velhice é a “melhor idade” só pode ser obra de humor negro. Alguns, mais afoitos ou sob o efeito de detergente, acrescentavam o adjetivo “gagá”.

Aí cometeram erro insuperável. O alemão ainda não me visitou e a memória, se faz das suas eventualmente, permanece de causar inveja àqueles que já esqueceram, por exemplo, que Bolsonaro foi o pior presidente que este país teve a infelicidade de conhecer. Lembro bem e de muita coisa que, já nos anais da história, marcou a trajetória da minha vida.

Não dá para esquecer o 1º de abril de 1964. Com apenas vinte e um anos de idade, vi a Constituição do meu país ser rasgada, o presidente ser deposto e o poder assaltado por militares absolutamente descomprometidos com os interesses da Nação por isso que estavam a serviço do imperialismo americano.

Vi a censura calar a boca de artistas e poetas, pois a liberdade teve que recolher as asas que havia aberto sobre nós. Pior que isso: vi as abundantes lágrimas de mães e esposas às quais não era dado o elementar direito de saber o que havia sido feito de seus filhos e maridos. Afinal, os porões da ditadura estavam repletos dos “criminosos” que haviam cometido o pavoroso delito de pensar. Aí, em nome do “deus, pátria e família”, os instrumentos de tortura foram aprimorados e empregados com excepcional prodigalidade. O “pau-de-arara” ficou obsoleto. O DOI-Codi dispunha de mecanismos mais modernos e eficientes para obter “confissões espontâneas”. Quando nada desse certo, restava o recurso de lançar o “criminoso” de um helicóptero e sem paraquedas no meio do Oceano Atlântico.

Também não esqueci.

(Felix Valois é Advogado, Professor, Escritor e Poeta – felix.valois@gmail.com)-Manaus(AM), 31 de outubro de 2.026.