Copa do Mundo, a festa do futebol – Por Nicolau Libório

ARTIGOS/Dr-NICOLAU LIBORIO(AM)

Gosto e sempre gostei de futebol. Aliás, na minha infância eu tinha sonhos de me tornar um craque, mas o que tornava a minha grande pretensão em pesadelo, era a falta de intimidade com a bola. Mas logo cedo, no início da minha juventude, encontrei uma maneira de estar próximo dos gramados e dos grandes ídolos. Tornei-me cronista esportivo e dessa profissão vivi até conseguir concluir o curso de Direito e ingressar na carreira jurídica.

Comecei como repórter de rádio (em 1965 a televisão não havia chegado a Manaus), atuei nas redações dos jornais, na década de 1970 passei pelos estúdios de televisão e tive o privilégio de ser correspondente de Placar, revista brasileira de maior prestígio na área esportiva. No campo da comunicação confesso que vivi os grandes momentos do esporte, não apenas do futebol.

Nessa longa jornada, tive a oportunidade de conhecer figuras importantes, que jamais serão esquecidas. Do ambiente local, relembro de Pepeta, Santarém, Marialvo, Clóvis “Aranha Negra”, Rolinha, Dermilson, Ademir Maestro, Pedro Hamilton, Catita, os irmãos Zequinha, Antonio e Edson Piola, mas a lista ainda pode ser ampliada com outros nomes. Do cenário Nacional, tive a oportunidade de entrevistar grandes astros que merecidamente conviviam com a fama: Garrincha, Almir Pernambuquinho, Rivelino, Gerson, Roberto Miranda, Clodoaldo, Brito, Tostão, Félix, Leão, Gilmar, Pepe, Dirceu Lopes, Zico, Toninho Cerezzo, Paulo Isidoro, Alfredo Mostarda, Nilton Santos. Campos, Manoel Maria e muitos outros, inclusive Fio Maravilha, que chegou a ser homenageado pelo cantor Jorge Benjor. Entrevistar Pelé foi o meu grande troféu. O Rei do Futebol sempre foi o alvo de qualquer repórter.

Ao lembrar de tantos ídolos, encontro razões para dizer que a Copa do Mundo (já vamos para a vigésima terceira edição) é a grande festa do futebol. Porque não dizer a grande novidade global. O Brasil, infelizmente, nas duas oportunidades em que sediou esse grande torneio, experimentou fortes decepções. Em 1950, no

Maracanazzo, perdeu o título para o Uruguai por dois a um, fato que o goleiro Barbosa, pelas injustas críticas, passou a viver a angústia da derrota até fim da sua vida .

Em 2014, no dia 8 de julho, na fase semifinal, no estádio Mineirão, o time brasileiro sofreu a mais humilhante derrota da sua história. Levou uma goleada de 7 a 1 do escrete alemão, resultado que frustrou o torcedor que necessitou de um longo tempo para se recompor. Luiz Felipe Scolari, o vitorioso treinador da equipe campeã de 2002 , virou vilão.

E o Brasil que é o único pentacampeão, vai alimentando esperanças de que dessa vez a coisa poderá ser diferente. As esperanças pela conquista do hexacampeonato continuam, apesar da duvidosa qualidade técnica de alguns jogadores. O time dirigido por Carlo Ancelotti ainda é carente de entrosamento e não dispõe de um jogador que possa fazer a diferença. Temos que torcer pela plena forma física de Neymar, ou pelo menos setenta por cento, para que ele seja convocado. Sem ele, a tarefa será difícil. Precisamos de motivos para torcer. Precisamos de justificativa para acreditar que a Copa de 2026 nos garantirá a festa.(Nicolau Libório é Procurador de Justiça aposentado, ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista.) – 24.04.2026