
Já escrevi que as corridas de rua, além de proporcionarem agradável recreação, oferecem inúmeros benefícios para saúde física e mental, derrubam a ansiedade, reduzem a gordura com a queima de calorias, fortalecem os músculos, melhoram o sistema cardiovascular e pulmonar, previnem doenças e só trazem resultados saudáveis. Por isso, para não sentir as consequências desagradáveis da ociosidade, mantenho o firme propósito de continuar me sentindo jovem de espírito.
No último sábado, dia 5, vivi a agradável oportunidade de correr na pista do Ponta Pelada, o primeiro aeroporto de Manaus, hoje operando exclusivamente para fins militares. Durante muitos anos, desde a sua inauguração em 20 de janeiro de 1954, quando o Brasil tinha Getúlio Vargas como presidente e o Amazonas era governado por Álvaro Botelho Maia, o aeroporto localizado no bairro Colônia Oliveira Machado, serviu de porta de entrada e saída de passageiros e cargas, reduzindo o isolamento de Manaus de outras localidades do país. Antes, os aviões amerissavam no Rio Negro, na área onde hoje está instalada a feira da Panair às margens do bairro Educandos, ponto de partida e chegada dos hidroaviões Catalina, da empresa aérea Panair do Brasil. A pronúncia de Panair é Panér, mas o povão abrasileirou de panair. E assim ficou.
O Ponta Pelada, com a chegada da Zona Franca, tornou-se bastante limitado para atender o novo momento vivido pela cidade, com a chegada de gente dos mais diversos pontos do país, em busca dos produtos importados. O turismo de compras deu amparo para o sucesso de muitos empresários que se deliciaram com os bons ventos da prosperidade. Surgiu então a necessidade de um novo aeroporto. E foi ai que Manaus passou a ter um moderno, o Eduardo Gomes, na zona oeste, inaugurado no dia 16 de março de 1976, na época em que o presidente do Brasil era o general Ernesto Geisel, o governador do Estado era Henoch da Silva Reis e a Prefeitura de Manaus tinha no seu comando o coronel Jorge Teixeira de Oliveira.
O Ponta Pelada, hoje Base Aérea, testemunhou fatos importantes. Exemplo: o desembarque de Pelé e o Santos, no dia 8 de agosto de 1968, para dois jogos amistosos do time paulista contra o Fast e o Nacional. Uma multidão esteve presente para conhecer o rei do futebol mundial. Outro momento que merece destaque foi o desembarque da delegação do Nacional, no dia 26 de agosto de 1969, após a vitória de um a zero contra o Grêmio Esportivo Maringá, no gramado do Maracanã, com gol de Pepeta. A fanática torcida nacionalina, bastante animada, invadiu a pista de pouso e promoveu o maior furdunço para homenagear os seus ídolos.
Esses momentos eu presenciei. Como repórter eu não poderia ficar distante dos agradáveis acontecimentos em uma cidade que já alcançava uma população de 300 mil habitantes. E com tantas boas lembranças, tive a satisfação de participar da corrida CAA Aero Run, na comemoração dos 176 anos da elevação do Amazonas à categoria de província. Enfrentar cinco quilômetros, no final de tarde, desafiando uma temperatura de 35 graus foi bem desgastante, nada fácil. Mas a satisfação de correr em uma pista plana de pouso e decolagem de aviões, contemplando algumas aeronaves, com amplos espaços para ultrapassagem, foi um momento diferente, prazeroso, superando o incômodo causado pelo impiedoso calor. Comigo estavam Danielle, minha filha e Soraya, minha esposa, que se sentiram gratificadas pela experiência vivida.(Nicolau Libório é Procurador de Justiça aposentado, Ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista) – Manaus-AM, 11 de setembro de 2026.









