
As eleições deste domingo (04/10) redesenharam o mapa político brasileiro e provocaram uma das maiores renovações dos últimos anos no Amazonas. A disputa presidencial irá para o segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No Estado, Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL) decidirão o Governo.
O resultado mostrou um país dividido. Com 99,40% das urnas nacionais apuradas, Flávio tinha 47,15% dos votos válidos. Lula aparecia com 45,02%. A vantagem era de 2,13 pontos percentuais.
No Amazonas, o movimento foi diferente. Lula virou a apuração com a chegada dos votos do interior. Com 98,71% das urnas contabilizadas, o presidente alcançava 47,82% dos votos válidos no Estado.
Manaus, porém, votou de maneira distinta. Flávio Bolsonaro venceu Lula na capital com ampla vantagem. Com a apuração concluída em Manaus, o candidato do PL tinha 54,28%, contra 37,13% do petista. O interior foi decisivo para inverter o resultado estadual.
Omar e Maria do Carmo no segundo turno
A disputa pelo Governo do Amazonas também terminou sem definição no primeiro turno.
Com 98,75% dos votos apurados, Omar Aziz confirmou a liderança e chegou a 826.134 votos, ou 40,40% dos válidos. Maria do Carmo garantiu a segunda vaga com 505.244 votos, ou 24,71%. Roberto Cidade (União Brasil), atual governador, ficou em terceiro com 21,84% dos votos.
Maria do Carmo superou Cidade por pouco mais de 2% dos votos, diferença que decidiu quem enfrentará Omar no segundo turno. David Almeida (Avante), ex-prefeito de Manaus, ficou em quarto lugar.
David e Wilson saem derrotados
A eleição também produziu duas derrotas de peso entre políticos que deixaram os principais cargos executivos do Amazonas para disputar as urnas.
David Almeida renunciou à Prefeitura de Manaus para concorrer ao Governo. Terminou em quarto lugar e ficou fora do segundo turno.
Wilson Lima deixou o Governo do Amazonas para concorrer ao Senado, ficou em quarto lugar na disputa. Eduardo Braga (MDB) garantiu uma das duas vagas, com mais de 1,1 milhão de votos. Plínio Valério (PSDB) ficou com a outra. Capitão Alberto Neto, que deixou a reeleição para deputado federal para disputar o Senado, também foi derrotado.
Assim, os dois políticos que ocupavam, até março, os principais cargos executivos do Estado encerraram o primeiro turno derrotados.
Átila e Silas ficam fora da Câmara
A renovação atingiu dois dos políticos mais longevos do Amazonas em Brasília.
Átila Lins (PSD), decano da Câmara dos Deputados, não conseguiu renovar o mandato. O parlamentar acumulava mais de três décadas de atuação na Câmara e tentava permanecer na bancada amazonense.
Dentro do PSD, Sidney Leite conquistou a vaga e garantiu a reeleição.
Outra derrota histórica foi a de Silas Câmara (Republicanos). Depois de sucessivos mandatos na Câmara, ele também ficou fora da nova bancada.
No Republicanos, Amom Mandel garantiu a reeleição. Átila e Silas não aparecem entre os oito eleitos pelo Amazonas.
A nova bancada tem Sargento Salazar, Sidney Leite, Adail Filho, Fausto Júnior, Amom Mandel, Saullo Vianna, Joana Darc e Alfredo Nascimento.
Sinésio perde vaga e Zé Ricardo volta à Aleam
A renovação também chegou à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Sinésio Campos (PT), outro nome tradicional da política estadual, não conseguiu renovar o mandato.
A Federação Brasil da Esperança conquistou duas cadeiras. Zé Ricardo liderou a votação do grupo e garantiu o retorno à Assembleia.
A segunda vaga ficou com Clóvis Curubão, ex-prefeito de São Gabriel da Cachoeira. Sinésio terminou atrás dos dois correligionários. Durante a apuração, Zé Ricardo tinha mais de 71 mil votos, Clóvis ultrapassava 32 mil e Sinésio aparecia com pouco mais de 20 mil.
Clóvis Moreira Saldanha, o Clóvis Curubão, é indígena da etnia Tariana e nasceu em São Gabriel da Cachoeira. Ele governou o município por dois mandatos.
Sua eleição representa um marco de representatividade indígena na Assembleia Legislativa do Amazonas.
Segundo turno mantém polarização
O primeiro turno deixa duas disputas centrais para 25 de outubro.
No Brasil, Flávio Bolsonaro e Lula reproduzem a polarização que domina a política nacional. No Amazonas, o confronto será entre Omar Aziz, aliado de Lula, e Maria do Carmo, identificada com o campo bolsonarista.
As urnas também deixaram uma mensagem de renovação. David Almeida e Wilson Lima perderam depois de deixar Prefeitura e Governo. Átila Lins e Silas Câmara ficam sem mandato na Câmara Federal. Sinésio Campos perde espaço na Assembleia.
Ao mesmo tempo, nomes como Maria do Carmo, Sargento Salazar e Clóvis Curubão avançam no cenário político amazonense.(FONTE: Amazonas, Eleições 2026/FOTO: Divulgação)










