
Os ministros Waldez Góes, da Integração e do Desenvolvimento Regional, e João Paulo Capobianco, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, estão em Manaus neste domingo (11) para coordenar ações de combate aos incêndios florestais que espalham fumaça pelo Amazonas. A visita ocorre em meio a uma crise de saúde pública e a uma controvérsia entre os governos estadual e federal sobre o envio de ajuda para enfrentar as queimadas.
Os ministros participam de reunião com representantes de órgãos estaduais no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), para alinhar as operações. A agenda também prevê sobrevoo das áreas atingidas e entrevista coletiva às 13h00, na Base Aérea de Manaus.
A capital amazonense enfrenta o terceiro dia consecutivo de intensa fumaça. A qualidade do ar atingiu níveis classificados como péssimos, com concentração de partículas finas muito acima dos parâmetros recomendados para a saúde. Escolas e universidades suspenderam atividades, enquanto a Prefeitura de Manaus cancelou eventos ao ar livre.
A situação é particularmente preocupante para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias. A fumaça também afeta municípios do interior, onde incêndios em áreas de vegetação dificultam o trabalho das equipes de combate.
Em setembro, o Amazonas registrou 3.726 focos de calor, quase quatro vezes o número observado no mesmo mês de 2025. O Ministério da Integração reconheceu situação de emergência em 36 municípios atingidos pelos incêndios.
Divergência sobre a ajuda federal
A visita dos ministros ocorre após versões divergentes sobre o apoio solicitado pelo Amazonas. O Ministério do Meio Ambiente informou que o Estado havia desistido do reforço de equipes federais em 30 de setembro, após a ocorrência de chuvas.
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), por sua vez, divulgou nota negando que o Governo do Estado tenha recusado ajuda da União. Segundo a corporação, um pedido de apoio foi formalizado em 18 de setembro e reiterado em reunião com representantes federais no dia 25.
Os Bombeiros afirmam que a prioridade era o envio de aeronaves, consideradas essenciais diante das grandes distâncias e das dificuldades de acesso aos focos de incêndio.
A corporação também citou o projeto Respad, de Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres, coordenado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, do Ministério da Justiça. O mecanismo permite articular e mobilizar equipes especializadas de Corpos de Bombeiros de diferentes estados, conforme a disponibilidade de pessoal e recursos.
O Governo Federal anunciou o reforço das operações com seis aeronaves e 290 brigadistas. A divergência sobre os pedidos anteriores, entretanto, permanece e envolve a diferença entre o envio de efetivo terrestre e a necessidade de apoio aéreo apresentada pelo Estado.
Avião e emenda de R$ 15 milhões entram na disputa
A capacidade de combate aéreo também se tornou assunto da campanha eleitoral. O Governo do Amazonas utiliza uma aeronave Thrush S2R-510, com capacidade de lançamento de até 1.930 litros de água por operação, velocidade aproximada de 245 km/h e autonomia de 3,5 horas.
O candidato ao Governo do Estado Omar Aziz (PSD) afirma ter destinado uma emenda parlamentar de R$ 15 milhões para a aquisição de uma aeronave de combate a incêndios. Segundo ele, o dinheiro não foi utilizado porque o Estado deixou de realizar a licitação, e os recursos acabaram devolvidos.
A declaração foi feita durante a campanha e reiterada neste sábado (10), quando Omar responsabilizou a falta do equipamento pela redução da capacidade de resposta aos incêndios.
A controvérsia exige esclarecimento sobre a destinação dos recursos, o processo de aquisição e os motivos pelos quais a aeronave não foi comprada.
Crise ambiental atravessa o segundo turno
O enfrentamento das queimadas ganhou dimensão política às vésperas do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
O governador Roberto Cidade e o ex-governador Wilson Lima, ambos ligados ao União Brasil, mantêm posição de neutralidade na disputa estadual entre Omar Aziz e Maria do Carmo Seffair (PL). No cenário nacional, a federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas, apoia Flávio Bolsonaro, adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Omar Aziz apoia a reeleição de Lula, enquanto Maria do Carmo integra o campo político de Flávio Bolsonaro. O candidato a vice-governador na chapa do PL é o coronel Mário Aníbal Gomes da Costa Júnior, oficial do Corpo de Bombeiros e ex-secretário da Defesa Civil de Manaus.
Nesse ambiente, a visita dos ministros do Governo Lula ocorre quando as administrações federal e estadual são cobradas por respostas à crise ambiental. A disputa sobre a responsabilidade pelo apoio operacional passa a integrar o debate político, enquanto a população enfrenta as consequências da fumaça.
O desafio imediato, porém, é operacional e sanitário: controlar os focos de incêndio, reduzir a exposição da população à poluição e assegurar atendimento aos moradores afetados.
Com a chegada dos ministros e o anúncio de reforços federais, a expectativa é de que a cooperação entre União, Estado e municípios produza resultados concretos. A fumaça que cobre Manaus e as queimadas que atingem o interior expõem uma emergência que não pode esperar pelo resultado das urnas.(FONTE: Queimadas/FOTO: Reprodução)










