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Integrantes da Embaixada Australiana no Brasil visitam sede do Programa Recomeçar, em Manaus

Promotora Rosana Cavalcante(D) recepciona as visitantes/Claudio Heitor

Duas integrantes da embaixada da Austrália no Brasil visitaram, nesta terça-feira (16/4), a sede do programa Recomeçar, projeto do Ministério Público do Amazonas (MPAM) em parceria com o Governo do Amazonas que dá suporte a pessoas em situação de vulnerabilidade psicossocial no estado.

A diplomata Rose Hunter, segunda secretária da embaixada, e a assistente de Políticas e Pesquisa, Julia Thomson, souberam do programa em Brasília e, durante visita a Manaus, decidiram conhecer de perto a iniciativa.

“Nós ouvimos sobre o projeto pelo PGR, em Brasília, e hoje eu estava muito impressionada com o projeto. Aprendi muito e acho que o projeto está fazendo coisas muito úteis para apoiar as pessoas em situações de vulnerabilidade aqui no estado do Amazonas”, disse a diplomata Rose Hunter.

…depois mostrou as dependências físicas do Projeto/Cláudio Heitor

Elas ficaram emocionadas ao ouvir algumas das histórias de vítimas que passaram pelo Recomeçar. O programa, que surgiu em 2016, tem como alvo pessoas em situações como abandono, violência sexual e doméstica, entre outros casos.

“Esse programa surgiu de uma inquietação existente entre os membros do Ministério Público, em especial os promotores de atuação em área criminal. Quando entrávamos em uma audiência, a vítima era simplesmente ouvida. Você via, percebia a fragilidade e a gravidade do crime que tinha acontecido contra ela, e mesmo assim você não tinha para onde encaminhá-la”, afirmou a coordenadora do Recomeçar, a promotora de justiça Silvana Cavalcante.

Parceria – Em parceria com o MPE, o Governo do Estado é responsável por disponibilizar profissionais capacitados para integrar o grupo do Recomeçar, que atualmente conta com uma equipe de psicólogos e assistentes sociais.

“O Recomeçar só existe por conta da parceria com o governo, porque nós não dispomos de verba e nem de profissionais habilitados para essa função. Então, desde o início foi fechada essa parceria para que o Recomeçar surgisse. Ela é de extrema importância. Hoje nós temos cinco pessoas, cedidas pelo governo, que fazem o trabalho fundamental do Ministério Público. A equipe é o coração da Recomeçar”, afirmou a coordenadora.

Até o primeiro trimestre de 2019, foram 63 casos atendidos pela equipe. O quadro é de crescimento, se comparado ao mesmo período do ano anterior, quando apenas 28 pessoas receberam os serviços.

“Enquanto equipe, fazemos primeiro o atendimento psicossocial, em que o grupo faz essa primeira escuta da pessoa que chega, e cada profissional técnico mira na maneira como vai poder ajudar essa pessoa que chegou aqui. A única coisa que nós fazemos aqui é trabalhar com amor, com amor ao próximo, e quando eles sentem isso, eles conseguem retomar e repensar na vida deles de uma maneira diferente, repensar que a vida deles passa de páginas escritas – às vezes na justiça – a tomar conta e ver que eles podem ir além”, afirmou Suzana Fleury, uma das psicólogas do projeto.

Recomeçar – O Programa Recomeçar foi criado em julho de 2016, em parceria com o MPAM, com o objetivo de atender pessoas em situação de vulnerabilidade psicossocial que figuram como partes nos processos judiciais.

Desde então, o programa já atuou em cerca de 300 casos, atendendo mais de 900 pessoas. O Recomeçar atua junto à Promotorias de Infância e Juventude Cível, Família, Idosos e Pessoas com deficiência, Juizados Especiais Criminais, Maria da Penha, entre outras.

Graças à iniciativa, o MPAM está concorrendo na edição de 2019 do Prêmio Innovare, que tem como objetivo “identificar, divulgar e difundir práticas que contribuam para o aprimoramento da Justiça no Brasil”. O MPAM concorre na categoria “Ministério Público” com o Programa Recomeçar.