Início Política Lula se torna réu em mais uma ação penal da Lava Jato...

Lula se torna réu em mais uma ação penal da Lava Jato por lavagem de dinheiro

Advogado Zanin diz que acusação é retórica contra Lula/Divulgação

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se tornou réu por lavagem de dinheiro em mais uma ação penal decorrente da Operação Lava Jato . Trata-se do primeiro processo criminal que o petista responderá perante à Justiça Federal de São Paulo.

A denúncia foi recebida nesta sexta-feira (14) pela juíza Michele Camini Mickelberg, titular da 2ª Vara Federal de São Paulo, segundo informou a força-tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo. Os procuradores acusam Lula de ter cometido crime de lavagem ao receber doação de R$ 1 milhão por meio do Instituto Lula.

De acordo com a denúncia, Lula teria praticado crime de tráfico de influência ao supostamente se valer de seu “prestígio internacional” para influenciar o presidente da Guiné Equatorial , Teodoro Obiang, a firmar contratos para a construção de rodovias no país com a empresa brasileira ARG LTDA., que pertence a Rodolfo Geo. O empresário, que também virou réu, teria pagado vantagem indevida a Lula como contrapartida por meio de doação ao instituto do ex-presidente. Os fatos se deram, ainda de acordo com o MPF, entre 2011 e 2012.

As provas da Lava Jato contra Lula

Os procuradores apontaram como provas dos crimes e-mails trocados em 2011 entre o então ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, e a diretora do Instituto Lula, Clara Ant.

Nas mensagens, Jorge cita os trabalhos da ARG na Guiné Equatorial e relata que a empresa estava disposta a fazer uma contribuição financeira “bastante importante” ao instituto.

Já em 2012, o próprio dono da empresa encaminhou a Clara uma carta do presidente do país africano, Teodoro Obiang, pedindo que fosse agendado um encontro com Lula. O empresário Rodolfo Geo, então, acrescentou à diretora do instituto que voltaria à Guiné Equatorial em maio daquele ano e que gostaria de levar a resposta de Lula a Obiang.

Dias mais tarde, o ex-presidente escreveu carta a Obiang em que mencionava um telefonema entre ambos e sua crença no fato de que a Guiné Equatorial poderia ingressar, futuramente, na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Em nota divulgada à época da denúncia, a defesa do ex-presidente  classificou a acusação como um “duro golpe no Estado de Direito” e reclamou de “perseguição política sem precedentes pela via judicial”.

“A denúncia pretendeu, de forma absurda e injurídica, transformar uma doação recebida de uma empresa privada pelo Instituto Lula , devidamente contabilizada e declarada às autoridades, em tráfico internacional de influência e lavagem de dinheiro”, protestou o advogado Cristiano Zanin Martins.

O Instituto Lula também reagiu à época do oferecimento da denúncia, afirmando que a acusação é “sem fundamento”. A instituição garantiu que “todas as doações recebidas foram legais, declaradas, registradas e tiveram os devidos impostos recolhidos”. “Após quatro anos de perseguição, o Instituto Lula já foi extensamente investigado e teve toda sua contabilidade exposta. Os documentos provam que as doações foram utilizadas nas atividades fim e nunca tiveram nenhum tipo de contrapartida. Essa ação se trata de mais um capítulo da perseguição judicial e midiática sofrida pelo ex-presidente”, informou o instituto.

Preso desde abril na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, Lula já foi condenado a 12 anos e 1 mês, em segunda instância, por corrupção e lavagem de dinheiro no caso tríplex. Ainda no âmbito da Lava Jato, o ex-presidente responde a mais dois processos: um sobre a compra de um terreno para o Instituto Lula e o aluguel de apartamento em São Bernardo do Campo (SP), e outro sobre o sítio de Atibaia, no interior paulista. Essas duas ações penais são julgadas na 13ª Vara Federal de Curitiba, atualmente sob a titularidade da juíza Gabriela Hardt.(iG)