SAÚDE/Estudo da FMT-HVD revoluciona com tratamento preventivo mais curto contra a TUBERCULOSE

Fachada da FMT/HVD: Foto: Arquivo

Pesquisa conduzida em Manaus demonstra que tratamento preventivo de apenas 1 mês pode ampliar a proteção contra a tuberculose…

A Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) alcançou destaque internacional com a publicação do estudo Ultra Curto na revista científica PLOS Medicine, uma das mais prestigiadas da área médica. A pesquisa investigou novas estratégias de tratamento preventivo da tuberculose, apontando que esquemas terapêuticos mais curtos podem ampliar a proteção contra a doença e facilitar a adesão dos pacientes.

O estudo comparou dois regimes de terapia preventiva para tuberculose em pessoas expostas à doença e sem HIV. Um dos grupos recebeu o tratamento com isoniazida e rifapentina por um mês, em doses diárias (1HP), enquanto o outro seguiu o esquema de três meses com doses semanais dos mesmos medicamentos (3HP). Os resultados contribuíram para preencher uma importante lacuna de evidências científicas sobre regimes preventivos mais curtos.

Entre os principais achados da pesquisa, destaca-se que o esquema de apenas um mês apresentou alta taxa de conclusão do tratamento, alcançando 89,6% de adesão, além de demonstrar perfil de segurança adequado entre os participantes sem HIV. Em Manaus, onde parte do estudo foi conduzida, a adesão ao regime de um mês foi ainda maior, evidenciando a relevância da pesquisa desenvolvida na Amazônia.

A coordenadora clínica do estudo no Brasil, Renata Spener, professora da Universidade Federal do Amazonas e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas em parceria com a FMT-HVD, destaca o impacto dos resultados para a prevenção da doença.

“Esquemas de tratamento preventivo mais curtos e bem tolerados aumentam a adesão e permitem expandir a cobertura da terapia preventiva, protegendo um maior número de indivíduos contra o desenvolvimento da tuberculose ativa”, destacou a pesquisadora.

A investigação foi conduzida em Manaus, pela Gerência de Micobacteriologia da FMT-HVD, e contou também com a participação de pesquisadores da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, ampliando a colaboração entre centros de pesquisa brasileiros.

A publicação teve ampla repercussão internacional. Em menos de 48 horas após sua divulgação, os resultados foram repercutidos por importantes veículos de comunicação científica, como Johns Hopkins Medicine, CIDRAP, MedicalXpress, The Microbiologist e Scienmag.

A pesquisa foi financiada pelo National Institute of Allergy and Infectious Diseases, com apoio do Ministério da Saúde do Brasil, e contou com colaboração científica da Johns Hopkins University.

Os resultados do estudo têm potencial para fortalecer estratégias nacionais e globais de prevenção da tuberculose, ampliando a proteção de populações vulneráveis e contribuindo para o enfrentamento de uma das doenças infecciosas mais persistentes do mundo.

Historicamente, os tratamentos preventivos contra a tuberculose podiam durar entre seis e nove meses, o que frequentemente dificultava a adesão dos pacientes e limitava a cobertura das estratégias de prevenção. Nos últimos anos, estudos internacionais têm demonstrado que regimes reduzidos podem oferecer a mesma proteção, com maior facilidade de conclusão do tratamento.(Foto: Divulgação/FMT-HVD)