Início Brasil Substituição dos médicos cubanos no Mais Médicos começará ainda em novembro

Substituição dos médicos cubanos no Mais Médicos começará ainda em novembro

Médicos cubanos estão no Brasil desde 2013/Arquivo

O Ministério da Saúde anunciou que iniciará, ainda no mês de novembro, a substituição dos profissionais cubanos que deixarão o programa Mais Médicos por brasileiros. Cuba decidiu suspender a parceria firmada em 2013 com o governo federal por não aceitar as exigências do futuro presidente, Jair Bolsonaro (PSL).

Segundo o governo, representantes do Ministério da Saúde se reunirão ainda hoje com a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), entidade responsável por intermediar a relação com os cubanos que atuam no Brasil. O encontro definirá detalhes para a saída dos médicos estrangeiros e entrada dos profissionais brasileiros que serão selecionados para o Mais Médicos .

A seleção para preencher as 8.332 vagas que serão abertas pela saída dos médicos cubanos será feita por edital, cuja proposta ainda será finalizada. Está prevista a realização de entrevista coletiva no início da próxima semana para esclarecer detalhes sobre o edital de seleção e chamada para inscrições.

O governo federal promete que a seleção de profissionais brasileiros (em primeira chamada) será realizada ainda no mês de novembro. Os médicos que forem selecionados deverão comparecer aos municípios imediatamente após o anúncio dos resultados

Na última quarta-feira (14), quando Cuba anunciou que suspenderia o convênio com o governo brasileiro, o Ministério da Saúde disse que a substituição dos estrangeiros já vinha sendo realizada desde 2016, quando Michel Temer (MDB) assumiu a Presidência.

A pasta disse que estuda medidas para ampliar a participação de brasileiros no Mais Médicos. Uma das propostas é negociar com os alunos formados com bolsa do Fies (Programa de Financiamento Estudantil). Segundo o ministério, essas ações poderão ser adotadas, “conforme necessidade e entendimentos com a equipe de transição do novo governo”.

Cuba fora do Mais Médicos

A decisão do regime socialista cubano de abandonar a parceria com o Brasil se deu após críticas do futuro presidente. Bolsonaro queria cortar o repasse de recursos ao governo cubano (que abocanha parte do salário dos médicos) e exigir “comprovação” da capacidade dos médicos formados na ilha.

Os profissionais cubanos que atuam no Brasil são dispensados de realizar o Revalida, o exame nacional para médicos formados no exterior serem habilitados a atuar no País. O termo está previsto desde o lançamento do Mais Médicos, pelo governo Dilma Rousseff (PT), em 2013, e foi julgado, no ano passado, constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Temendo “iminentes e irreparáveis prejuízos à saúde da população”, prefeitos e secretários municipais de Saúde de todo o Brasil assinaram carta conjunta para cobrar a “revisão do posicionamento” de Jair Bolsonaro a respeito da participação dos cubanos nos Mais Médicos . Segundo as administrações municipais, mais de 29 milhões de brasileiros podem ficar sem acesso a atendimento de Saúde por conta da saída dos profissionais de Cuba.(iG)