
Contam-se às dezenas de milhões os adeptos de Bolsonaro. O primeiro turno comprovou essa evidência. É contra essa gente que se travará, em quarenta e oito horas, o embate definitivo. Os brasileiros teremos que escolher: continuamos a vida na normalidade democrática, respeitando as instituições da democracia burguesa, ou mergulharemos de novo no ambiente de ódio, maquinações e vinganças em que vivemos há pouco tempo.
Os quatro anos de governo do Bolsonaro velho não representam um período de que possamos ter orgulho. Os interesses individuais e/ou familiares se sobrepunham aos assuntos de estado, de tal sorte que a máquina governamental foi instrumentalizada para atender, em termos imediatos, aos anseios dos que estavam no poder. Na geopolítica internacional, o Brasil sofreu um processo de despersonalização, na medida em que o presidente da República, sem embargo do uso de uma retórica pretensamente nacionalista, não conseguia esconder o complexo de vira-latas diante da prepotência dos Estados Unidos da América.
O social foi largado de mão como traste inútil, enquanto negociatas bilionárias se desenvolviam em sórdidos ambientes. O povo era apenas um detalhe desimportante, eis que lobistas e golpistas urdiam suas tramas com impressionante desfaçatez, tudo ao fito da obtenção de lucro a qualquer preço, inchando-se as burras já gordas de pessoas sem nenhum compromisso com a honestidade.
Até um golpe de estado foi assunto de deliberação nessa assembleia de indignos e malfazejos. É que a ameaça de derrota no lícito processo eleitoral de escolha despertou o medo patológico da perda de poder. Um poder judiciário atento e vigilante impediu a catástrofe e os golpistas receberam penas criminais em proporção às suas participações no vergonhoso delito.
Do outro lado, temos a figura de um líder popular que, mesmo com os defeitos inerentes aos humanos, traduz a esperança de que nosso país siga soberano, independente e altaneiro. A política social de seu governo manifesta abertamente a preocupação com os desvalidos, de tal forma que a estes sejam assegurados direitos mínimos e básicos, como o de não passar fome. É o que se pode fazer dentro das amarras de um sistema capitalista inclemente.
Talvez por isso os adversários assoalhem que “Lula é comunista”. Bem que eu gostaria que fosse, mas, infelizmente, não o é. É um líder operário que não olvidou suas origens e apenas tenta amenizar o sofrimento e a angústia dos que, como ele, sabem o quanto é implacável a dor da pobreza e como é doída a luta pela simples conquista do pão de cada dia.
Seu adversário, o Bolsonaro junior, é o contrário de tudo isso. Sem nunca ter tido que trabalhar para viver, ambientou-se com perfeição às práticas de seu clã, de tal sorte que logrou aprimorar os defeitos do patriarca. Não pode deixar de impressionar o observador isento a tranquilidade com que ele, o Flávio, mesmo disputando a presidência do país, não se esquivou de escancarar para o mundo que pretende, pura e simplesmente, abrir mão de nossa soberania em favor dos arreganhos imperialistas de Trump.
Na tarde do domingo passado, desloquei meus oitenta e três anos, com apoio da fiel bengala, até o Parque dos Gigantes. Ver tantos jovens (e muitos velhos, como eu) exteriorizando a esperança de progresso e normalidade foi reconfortante. Não estamos perdidos.
Muito ao contrário, a luta não pode parar. Sei que outros tantos milhões de brasileiros não suportam a ideia do retrocesso ao obscurantismo, do regresso à fala dos que sentem falta da ditadura e dos que endeusam torturadores. Chega deles. Basta de atraso e de estupidez.
Nisso creio e, justamente por isso, votarei 13 e 55. Que meus compatriotas tenham o mesmo discernimento.(Felix Valois é Advogado, Professor, Escritor e Poeta – felix.valois@gmail.com) – Manaus (AM), 24 de Outubro de 2026.









