
A propaganda bem elaborada, inteligente, comunicativa, sempre rende bons frutos. Principalmente se o produto reúne motivos para ter credibilidade. Às vezes, pela boa qualidade do texto, consegue, além de agradar, ter o poder de convencer e divertir o principal destinatário que é o cliente.
Vou tentar lembrar de um dos interessantes anúncios no início dos anos 1970, de uma pequena loja que vendia canetas-tinteiro, com ponta de metal e tinta líquida à base a base de água, instrumento de escrita nos escritórios e nas salas de aula. A lojinha pertencente ao empresário Rivaldo Bandeira de Melo, era localizada na rua Marquês de Santa Cruz, no centro de Manaus, era o Médico das Canetas. O que chamava atenção era a pequena frase que encerrava o anúncio publicitário: Médico das Canetas, não tem diploma, mas sabe o que faz. Lembro da privilegiada voz do saudoso Carlos Carvalho, com dicção clara que conseguia facilmente convencer os ouvintes da Rádio Difusora.
Em época anterior, década de 1960, quem precisasse adquirir qualquer tipo de calçado tinha como opção as sapatarias Moderna, Limongi, Montemurro, Elite, Salvador e Onça. Esta última bem popular, com preços razoáveis e atraentes. Mas o que chamava atenção era a forma como ela se apresentava para o público consumidor: Sapataria Onça, a onça das sapatarias.
Vale recordar da Casa Tem Tem, que vendia artigos com visual de luxo, com preços elevados e, também, mercadorias acessíveis ao consumidor com menor poder de compra. E a propaganda era bem interessante: Casa Tem Tem, a casa do rico e do pobre também.
Essas reminiscências me fazem recordar de um texto atribuído ao grande Olavo Brás Martins Guimarães Bilac, ou simplesmente Olavo Bilac, carioca, jornalista cronista, considerado como o príncipe dos poetas. Reza a lenda que um certo amigo de Bilac queria anunciar a venda da sua chácara, porque o imóvel só lhe dava muito trabalho, aborrecimentos e, às vezes, prejuízo. Para chamar atenção de um comprador era preciso demonstrar que a tal chácara tinha seus encantos, era preciso que os leitores do jornal fossem convencidos a fazer negócio. O comerciante-amigo pediu ao poeta que escrevesse o texto anunciando a venda. Olavo Bilac era a pessoa mais indicada para tal missão.
Tratando-se do pedido de um amigo, o poeta não se fez de rogado, prontificou-se a fazer o melhor possível para atender a solicitação. Não procurou ser longo e, rapidamente, em poucas palavras, escreveu:
“Vende-se encantadora propriedade, onde cantam os pássaros ao amanhecer no extenso arvoredo, cortada por cristalinas e marejantes águas de um ribeiro. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes, na varanda”.
Ao ler a redação, o tal amigo de Olavo Bilac imediatamente desistiu da venda. Ao perceber a beleza do lugar onde vivia, desistiu da sua intenção de desfazer do seu bem, e teria dito: “nem penso mais nisso. Quando li o anúncio é que percebi a maravilha que tinha.”
Fica evidente, portanto, que é necessário que alguém nos alerte para a verdadeira realidade. Nesse caso tudo indica que o problema não era a chácara. Mas sim a dificuldade de enxergar e valorizar a beleza do ambiente em que vivia. A comunicação eficiente, clara, com credibilidade é capaz de oferecer resultados milagrosos.(
Nicolau Libório é Procurador de Justiça aposentado, Ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista) – Manaus(AM), 23.Outubro.2026










