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NÃO GOSTE DE LULA – Por Felix Valois

ARTIGO/Foto: Felix Valois(AM)

Mas tenha nojo do Bolsonaro. Sei que essa aversão ao atual presidente decorre de campanha sistemática da direita que, por portas e travessas, insiste em chamá-lo de “ladrão”. A mentira, muitas vezes repetida, acaba por soar como verdade aos ouvidos dos incautos. Vejamos, na ótica do direito, como ficam as coisas.

Ladrão, como todos sabem, é o indivíduo que se dedica ao furto (art. 155, do Código Penal) ou ao roubo (art. 157). A diferença está em que, no último tipo mencionado, a subtração da coisa alheia se dá com a prática de violência contra a pessoa. Em qualquer das modalidades, porém, sendo materiais ambos os crimes, há sempre um objeto sobre o qual incide a conduta do gatuno. Pois muito que bem! Até agora não vi ninguém, nem o mais empedernido bolsomínion, apontar “o quê” foi furtado ou roubado por Lula, nem onde se esconde eventual fortuna por ele amealhada.

Mas Flávio, o Bolsonaro herdeiro, foi seguidamente manchete de jornais, quando adquiriu mansão em Brasília por valor que conduz o pensamento aos prêmios da megasena acumulada. De onde brotou essa dinheirama? No campo jurídico, ele não passa do que jocosamente se conhece como “um advogado sem causas”. E, por mais alta que seja a remuneração dos parlamentares federais, não tem ela o condão de se multiplicar, a ponto de justificar investimento de tal vulto. E nem é preciso falar da prática de rachadinha ou da ligação com as milícias do crime organizado.

Mas você, injustificada e teimosamente, não gosta do Lula, em termos definitivos, e insiste: “Mas ele é ladrão”. Mesmo você, porém, a destilar todo esse ódio, vai ter que convir em que, para manter a coerência, teremos que considerar o Bolsonaro junior também como “ladrão”, já que a luxuosa casa não caiu do céu, nem brotou no quintal. Aí, então, você já não teria justificativa plausível para optar pelo herdeiro, eis que os pratos da sua balança moral entraram, pelo menos, em equilíbrio.

Acontece, todavia, senhor moralista, que, mesmo entre ladrões, há diferenças notáveis de grau e intensidade. Vem-me à lembrança uma lenda bíblica, recordação dos tempos em que, na capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, as irmãs Feitosa botavam a criançada em contato com o “primeiro catecismo da doutrina cristã”. Deu-se que Jesus, condenado à morte, é levado ao monte Calvário, onde se dará a execução da pena capital. A cruz em que vai sofrer o suplício é fincada entre outras duas, ocupadas, coincidentemente, por dois ladrões, vítimas do mesmo destino. Só que, à esquerda do Cristo, está o “ladrão bom”, perdoado pelo Nazareno e por ele convidado

para um encontro nas paragens celestiais. Já à direita, o “ladrão mau” insiste no pecado e é enviado para as profundezas do inferno, onde conviverá eternamente com as chamas, na qualidade de hóspede do satanás.

Não sei se o meu escasso leitor é religioso. Se o for, há necessariamente de acreditar em um deus e no seu contrário que é, nada mais, nada menos, que o próprio diabo. Nesse contexto, por mais benevolente que seja o fiel, não pode ele crer que a família Bolsonaro tenha sido criada por alguma divindade. Definitivamente, não. Muito mais sensato é ter como certo que ela tenha tido origem em alguma das maquinações do coisa-ruim, ávido, segundo consta, de semear na terra tudo o que não presta.

Tudo visto e relatado, proclamo: em nome da ciência e contra o obscurantismo, voto 13 e 55; em nome dos trabalhadores e das trabalhadoras brasileiros e contra a exploração, voto 13 e 55; em nome dos direitos humanos e contra os torturadores, voto 13 e 55; em nome da liberdade e contra a ditadura, voto 13 e 55.(Felix Valois é Advogado, Professor, Escritor e Poeta) – Manaus(AM), 17.Outubro.2026.