
Recebi esta semana que passou importante estudo do professor de Economia da Ufam, José Alberto Machado: “Evidências de descompasso estrutural no desenvolvimento do Amazonas: economia reduz ritmo de crescimento, mesmo com indústria eficiente” (2010-2025). O documento constata que o estado do Amazonas, mesmo com uma indústria virtuosa e resiliente na agregação de valor, o Polo Industrial de Manaus (PIM), diminuiu amplamente seu dinamismo e relevância em relação ao Norte e ao Brasil. Alguns dos indicadores que fundamentam suas preocupações demonstram que o Estado: a) registrou redução e instabilidade no seu dinamismo econômico acumulado, de forma contínua (Norte = 30,0%, Brasil = 13,8% e Amazonas = 13,1%); b) recolheu, proporcionalmente ao PIB, mais impostos sobre produção do que o Norte e Brasil: em 2023 foi 17,9% x 11,8% x 14,9%, respectivamente, o que representa 51,7% mais que o Norte e 20,1% mais que o Brasil; Outras importantes conclusões: c) registrou, em relação ao Norte, grandes perdas relativas em todos os agregados macroeconômicos da produção, reduzindo, com isso, sua relevância econômica regional (em relação ao PIB Brasil reduziu participação de 1,6% para 1,5%, enquanto o Norte aumentou de 5,3 para 5,8%); o
Amazonas reduziu sua participação em relação à indústria do Norte (Valor Agregado Bruto (VAB), de 27,5% para 24,%), embora siga sendo responsável por quase 2/3 do Consumo Intermediário (CI) da região. A indústria local de transformação sustenta índices de agregação ao VAB em patamares muito superiores ao que se registrou em relação à na indústria nacional: 32,4% em 2023, enquanto o Brasil manteve-se na faixa de 15,2% e o Norte em 12,0%. O padrão manteve-se superior a todas as demais regiões, 2,9 vezes superior ao Nordeste; 2,0 ao Sudeste; 1,5 ao Sul; e 3,7 ao Centro-Oeste;
Como o segmento industrial é o motor da economia do Amazonas esses resultados se configuram em sério alerta, posto que, no atual cenário, aditam-se outros desafios, como soem ser os recorrentes e custosos impasses logísticos, os crônicos embates com outras regiões por causa dos benefícios fiscais, o provável advento de novo eixo econômico com o petróleo do Amapá, a redução da capacidade arrecadatória do estado como efeito da reforma tributária e a falta de fomento a outras matrizes econômicas para além da indústria situada no PIM. As evidências apontam que o Amazonas cresceu menos que o conjunto da região Norte e perdeu participação relativa no PIB e em diversos agregados regionais.
O estudo vai além: mesmo que tenha preservado uma estrutura econômica fortemente industrializada, a combinação revela descompasso relevante: elevada especialização industrial coexistindo com baixo dinamismo da economia estadual. Pondera, entretanto, que identificar suas causas requer análise adicional sobre
produtividade, investimento, emprego, encadeamentos locais, logística, demanda e apropriação regional da renda. Em 2006, quando o PIB da região Norte representava 5,0% do PIB do Brasil, o Amazonas detinha 1,7% e o Pará 1,9%. Em um período que não chega a duas décadas (2006-2023), o Norte ampliou sua participaçãompara 5,8% (0,8 p.p), o Pará para 2,3% (0,4 p. p), enquanto o Amazonas recuou a 1,5% (0,2 p.p).
José Alberto salienta adicionalmente que, comparativamente à região Norte e ao conjunto do Brasil, os agregados macroeconômicos trabalhados evidenciam, de forma clara, que o estado está perdendo ritmo em sua dinâmica interna. Tal fato se apresenta como um paradoxo, em razão de abrigar um moderno pólo industrial que, em termos de eficiência na agregação de valor, é amplamente superior ao que existe em todas as regiões do país. Tendo em vista que o estudo centra-se, fundamentalmente, na economia da ZFM, entendo que precisamos ir além, estudar a implantação de um modelo de longo prazo (na perspectiva 2073) estruturado na integração (não substituição) ZFM/PIM/BIOECONOMIA.
Não vejo outro meio de contornar a armadilha criada pela má gestão do DL 288/67 em relação à economia do estado do Amazonas, observando-se, a propósito, a evidência elementar segundo a qual
o PIM não representa a economia amazonense, mas dela é parte. Nesses termos, a ZFM está muitom distante da inter-relação dos setores de uma economia multisetorial (primário, secundário e terciário) e a forma como o capital hoje aqui se organiza. Assim configurado, não enxergo a menor possibilidade, mesmo no longo prazo, de estender seus benefícios ao agronegócio e à bioeconomia do Estado.
Consequentemente, reformar o modelo é preciso, urgente e politicamente de alta responsabilidade. Não se pode
pretender que o Amazonas siga de pires na mão ao destino 2073.(Osíris M. Araújo da Silva é Economiata, Consultor de Empresas, Professor, Escritor e Poeta – osirisasilva@gmail.com) – 03.Novembro.2026.










