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Brasil ganhou com técnicos brasileiros – Por Nicolau Libório

ARTIGOS/Dr-NICOLAU-LIBORIO(AM)

A vigésima terceira edição da Copa do Mundo está chegando ao final. E, lamentavelmente, o Brasil não está entre os candidatos favoritos a conquistar o título da mais importante competição do planeta. O sonho do hexa foi adiado, virou pesadelo. Desculpas são apresentadas, parte da imprensa resolveu atacar Neymar, mas ninguém decidiu assumir a responsabilidade pelo insucesso. Só resta aguardar mais quatro anos para ver o que pode acontecer.

Na primeira edição do torneio da FIFA, realizado no Uruguai, a seleção brasileira começou perdendo para a Iugoslávia por dois a um, aplicou uma goleada de quatro a zero na Bolívia, mas foi eliminado na fase de grupos porque a Iugoslávia também goleou a Bolívia por quatro a zero. A primeira experiência bem que poderia ter servido de lição para as disputas futuras. Mas as participações nas Copas de 1934, na Itália; 1938, na França; 1950 no Brasil e 1954, na Suíça não garantiram a conquista da taça Jules Rimet.

O jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues, após a derrota para o Uruguai, por dois a um, em 1950, no gramado de recém-inaugurado Maracanã, escreveu que o brasileiro vivia um sentimento crônico de inferioridade, diante do resto do mundo, achando que tudo que é estrangeiro é superior. A esse sentimento menor, Nelson chamou de complexo de vira-lata. E parece que o atual comando do futebol, com a sua mania de grandeza, voltou a conviver com o espírito de inferioridade ao entender que a vinda de um técnico europeu poderia recuperar o prestígio do nosso combalido escrete tupiniquim.

A CBF com os cofres abarrotados, não hesitou em contratar Carlo Ancelotti, nome consagrado no cenário mundial, acreditando que ele, num truque de mágica, poderia conduzir o time ao sucesso, com um grupo de jogadores de qualidades técnicas modestas. Ancelotti tem méritos inquestionáveis. Mas nesta Copa errou mais do que acertou, infelizmente. Ao convocar Neymar, deu a entender que tão logo o craque do Santos conseguisse se recuperar da lesão, estaria entre os titulares. Não foi o que aconteceu. O italiano esqueceu de uma lição que todo bom treinador sabe: craque, se tiver condições de correr, tem que jogar. O craque faz a diferença. Mas Neymar teve apenas escassos minutos para ajudar a seleção.

Ancelotti ficará quatro anos tranquilo, pois com a renovação do seu contrato milionário, não terá preocupações financeiras. O que chama a atenção é que a mídia resolveu fazer olhar de paisagem em relação ao desempenho do treinador. Prefere, por questão de ideologia político-partidária, apontar Neymar como o responsável pelo fracasso.

Vale lembrar que o escrete nacional, nos cinco títulos conquistados, foi dirigido por treinadores brasileiros. Esse caminhar começou em janeiro de 1958, quando Jean-Marie Fustin Godefrois d’Havelange ou simplesmente João Havelange, assumiu a presidência da CBD, em substituição a Sílvio Pacheco. Com a ajuda do empresário da área de comunicação Paulo Machado de Carvalho, criou uma comissão técnica com o médico Hilton Gosling, preparador físico Paulo Amaral, supervisor Carlos Nascimento, psicólogo João Carvalhaes e o dentista Mário Trigo. Para o comando da comissão foi chamado Vicente Feola, técnico do São Paulo, que convocou Castilho, Gilmar, Mauro, Bellini, Orlando, Zózimo, Djalma Santos, Nilton Santos, De Sordi, Oreco, Didi, Dino Sani, Zito, Moacir, Dida, Garrincha, Zagalo, Vavá, Pepe, Pelé, Joel e Mazzola. E, com planejamento, organização e disciplina, o time voltou da Suécia ostentando título de campeão.

Depois vieram outras conquistas. Em 1962, no Chile, o técnico foi Aymoré Moreira. Em 1970, no México, o comando foi de Zagallo, em 1994, nos Estados Unidos, o comandante do tetra foi Carlos Alberto Parreira. Na conquista do penta, no estádio Internacional Yokohama, no Japão, o responsável foi Luiz Felipe Scolari.

Portanto, está bastante comprovado que tivemos e temos treinadores competentes. Renato Gaúcho e Felipe Luiz são dois bons exemplos. Ninguém pode deixar de reconhecer que a safra de bons jogadores, atualmente, não é nada boa. Mas se o comando da CBF trabalhar com seriedade, planejamento, organização e disciplina, poderemos alimentar a ideia de que a conquista do hexa poderá se materializar.( Nicolau Libório é Procurador de Justiça aposentado, Ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista) – 17.07.2026