
Antônio Franco de Oliveira, ou simplesmente Nené Prancha, viveu a vida no ambiente do futebol. Foi treinador de escolinhas, roupeiro e massagista do seu querido Botafogo, mas que se tornou conhecido pelas frases que se tornaram interessantes e bastante conhecidas. Pelo seu jeito descontraído e postura folclórica, recebeu do saudoso e consagrado jornalista Armando Nogueira, o apelido de filósofo do futebol. Ele disse certa vez que “pênalti é uma coisa tão importante, que deveria ser batido pelo presidente do clube. Tempos depois, corrigindo, disse que o ele quis dizer é que pênalti é tão fácil que até o presidente pode bater.
Não há tanta certeza de que qualquer um pode assumir a responsabilidade pela execução do tiro direto, pois uma trave pode parecer grande para o goleiro e pequena para o executor do chute. A trave, pela regra oficial, mede 7,32 de largura por 2,44 de altura. Transformar o chute em gol depende de habilidade e do estado emocional do jogador. Aí é que mora o perigo. Um dos dois pode se dar bem ou se dar mal. Vou me valer do espanhol, naturalizado brasileiro, Vicente Matheus, que foi presidente o Corinthians durante 18 anos, que diante de situações desconfortáveis, afirmava que “se fosse fácil não seria difícil”.
No domingo passado, lamentavelmente, vivemos um drama: o pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães não foi situação fácil nem tampouco difícil. Foi um momento desastroso. Mexeu com o emocional do time. Bruno, que segundo Carlo Ancelotti, teria se mostrado apto nos treinamentos para tal missão. Os dados estatísticos afiançavam a escolha do jogador para o cumprimento da árdua missão. Mas a estatística não joga, não vive o momento de tensão, não garante vitória. E em momentos decisivos a incumbência tem que ser atribuída a quem não se importa com a pressão do momento e muito menos do adversário. Bruno ao se posicionar diante da bola, “telegrafou”, deu a dica para que lado estaria chutando. E pior: chutou fraco, sem convicção, sentindo as provocações do goleiro norueguês. Mas ele não é o único responsável pelo revés, mesmo porque Endrick teve a chance de equilibrar o jogo, mas, infelizmente, deu-se ao luxo de perder um gol imperdível. Casemiro também teve oportunidade e não aproveitou. A defesa brasileira, que tinha conhecimento do jeito de jogar do grandalhão Haaland, simplesmente deixou o homem à vontade para finalizar e marcar dois gols.
Ancelotti é um treinador inquestionavelmente consagrado, mas, para nossa tristeza, não foi eficiente na preparação da nossa trôpega seleção. Dias antes do início da Copa ainda não havia definido a formação da equipe. E quando parecia que havia encontrado o time titular, perdeu Rafinha e Paquetá. No jogo contra a
Noruega, com Neymar já totalmente recuperado, preferiu deixá-lo no banco de reservas, mantendo Martinelli simplesmente pelo fato dele haver marcado o gol contra o Japão. Neymar entrou em campo após o momento de hidratação, jogou 27 minutos, considerando o acréscimo, tempo que usou para executar boas cobranças de escanteio e converter o pênalti que diminuiu o tamanho do fiasco brasileiro. E que ninguém venha culpá-lo de nada, pois se alguém se dispuser a procurar culpados é só se dirigir à sede da CBF. Os erros começaram por lá. As críticas raivosas de parte da crônica esportiva, contra Neymar, são motivadas pelo desejo de misturar assuntos político-partidários com futebol, pura militância ideológica. Nos bons tempos do futebol brasileiro, nenhum dos treinadores deixaria um verdadeiro craque no banco de reservas. Se Neymar já estava recuperado da lesão muscular, teria que ser escalado. Era assim que acontecia na época de Zico, Roberto Dinamite, Sócrates Rivelino, Tostão, Garrincha, Carlos Alberto Torres, Gerson, e principalmente Pelé. O problema é que Ancelotti tentou provar que é mais inteligente que a inteligência. Não deu certo. Aliás, deu muito errado, porque teremos que aguardar mais quatro anos para garantir, ou não, a sexta estrela tão sonhada.
Em tempo: a Copa do Mundo prossegue hoje com Espanha e Bélgica. No sábado teremos Noruega e Inglaterra; Argentina e Suíça. Está ficando difícil apontar favoritos.(Nicolau Libório é Procurador de Justiça aposentado, Ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista)-09.07.2026










