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Colégio Estadual, o  Castelo da sete – Por Nicolau Libório

ARTIGO/Dr-NICOLAU-LIBORIO(AM)

Os anos passaram, cheguei aos 78 anos, mas continuo, quase que diariamente praticando atividade física. Exercitar o corpo faz bem, também, para garantir a saúde mental. Eu, que já fui atleta na juventude, encontrei uma razão para continuar me sentindo jovem. Por isso, nos últimos sete anos, decidi participar das muitas corridas de rua promovidas em Manaus. E, enquanto a cabeça mandar e as pernas obedecerem, estarei gastando a sola do tênis em busca de uma medalha de participação.

Na Corrida promovida pelo Colégio Militar de Manaus, dia 2 passado, nos 55 anos de existência da importante instituição de ensino, tive a oportunidade de percorrer, no alvorecer do calorento domingo, parte do centro da cidade. A prova pedestre teve seu início na José Clemente/Luiz Antony, percorrendo a área do mercado Adolfo Lisboa, Manaus Moderna, Jonathas Pedrosa, para retornar pela avenida Sete de Setembro.

Foi na Sete de Setembro que deparei-me com aquele majestoso prédio com marcante arquitetura de estilo neoclássico da época provincial. Naquele momento procurei remexer o meu baú de recordações, buscando na memória os felizes momentos que passei como aluno do curso Clássico, no colégio que antigamente era citado carinhosamente como o Castelo da Sete.

O prédio estava lá, infelizmente esquecido, suportando silenciosamente a indiferença, o desprezo e a falta de respeito por parte de quem deveria zelar pela educação e pelo patrimônio público.

Lembro que fui um dos concludentes de 1969, ano em que foi comemorado um século de existência do nosso Colégio Estadual do Amazonas, que foi criado como Lyceu Amazonense, pelo regulamento número 18, de 14 de março de 1869. Dos 13 alunos que se matricularam no Lyceu em 1869, apenas 9 compareceram, com 8 aprovações. Mas apenas 4 foram merecedores de prêmios, que foram entregues em sessão solene, presidida pelo presidente da Província, Tenente Coronel Wilkens de Mattos.

Durante tantos anos, o Colégio Estadual, além do curso ginasial, oferecia aos interessados os cursos Científico, com foco em ciências exatas com aprofundamento em matemática, física, química e biologia; e o Clássico que tinha direcionamento para letras, humanidades, com estudo aprofundado de latim e grego, destinado a quem ia seguir carreiras como direito ou letras.

Nesse longo tempo, o nosso saudoso Colégio Estadual teve na sua direção importantes nomes. Vou citar alguns: Agnello Bitencourt, André Araújo, Afonso Celso Maranhão Nina, Bartolomeu Augusto de Vasconcelos Dias, Guilherme Pinto Nery, Manoel Bessa Filho, Manoel Otávio Rodrigues de Souza, Nicodemus Braule Pinto, Otávio Hamilton Mourão, Plácido Serrano, Pedro Severiano Nunes e Vivaldo Palma Lima.

Nomes importantes fazem parte da lista de professores: Álvaro Botelho Maia, Coriolando Durand (fundador do Nacional Futebol Clube), Fueth Paulo Mourão, Heliodoro Balbi, Herbeth Palhano, Jonathas Pedrosa, Leopoldo Peres, Plácido Serrano, Pedro Severiano Nunes, Vicente Teles de Souza e muitos outros intelectuais.

Não vou perder a oportunidade de lembrar e registrar nomes de alguns concludentes dos cursos Científico e Clássico de 1969, ano do centenário do colégio que já foi destaque pela elevada qualidade de ensino. Começo com Átila Sidney Lins de Albuquerque, Almir Hadad Nadaf, Aldenora Martins Mendonça, Alberto Miguel Esper (Beto Marabá), Armando Monteiro Maia, Alfredo da Silva Santana, Agenor Gaia Nina, Belarmino Ferreira Lins, Carlos Alberto Loureiro Pinagé, Cid Nadaf Loureiro, Deoclécio Almeida da Silva, Eulinete Melo da Silva, Elias Brasil Benjó, Francisco Nailson dos Santos Pinto, Flávia Antony Skrobot, Franklim Bittencourt Guimarães, Franklim Ribeiro Dávila, Félix Geraldo da Costa, Francisco das Chagas Simões, Hahnemann Bacelar, Isa Carmem Tomaz de Lima, João Bosco Falabela, João de Deus Abdala Simões, Luiz Eduardo Lustosa de Oliveira, Maria Helena Pessoa, Nicolau Libório dos Santos Filho (eu), Maria das Gracas Figueredo, Pedro Hamilton Holanda de Albuquerque, Rita Cássia Montenegro, Sandra Miranda Breval, Naldir Franco Hayder. Mas a lista é bem maior.

Faço questão de relembrar a composição da administração do Castelo da Sete, no distante 1969. Diretor – Bartholomeu Augusto de Vasconcelos Dias, Vice-Diretor – Manoel do Carmo Chaves Neto, Maneca; Secretário – Cleomenes do Carmo Chaves; Chefe Disciplinar – Altacir Godinho Braga, o temido bedel; Coordenador Pedagógico – Sebastião Norões e Orientadora Educacional – Neusa da Silva D’Elia.

A nova geração nem desconfia que o Colégio Estadual, que em em 2026 teve suas atividades pedagógicas transferidas para uma sede provisória, já reuniu e preparou muitas figuras importantes que hoje atuam na medicina, na advocacia, na magistratura, no Ministério Público, nas empresas e na política. O Castelo da Sete faz parte da história do Amazonas.(Nicolau Libório é Procurador Justiça aposentado, Ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista) – 21.08.2026