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Recordando bons momentos – Por Nicolau Libório

ARTIGOS/Dr. NICOLAU-LIBORIO(AM)

Neste 15 de agosto de 2026, quando chegarei aos 78 anos, tenho razões para dizer que vivi momentos felizes. Como comerciário no meu primeiro emprego na Moto Importadora, como radialista, como jornalista, como delegado de polícia, como Promotor de Justiça e Procurador de Justiça. Nas emissoras de rádio, por onde passei, sempre me adaptei melhor no setor esportivo, embora tenha feito cobertura de eleições, bailes de carnaval e das tradicionais batalhas de confetes, na avenida Eduardo Ribeiro. Nos jornais A Notícia, O Jornal e Diário da Tarde, revista Placar e no início da TV Amazonas, também me sentia à vontade falando e escrevendo sobre futebol e outras modalidades do esporte.

O esporte e a imprensa me permitiram sonhar com um projeto audacioso: ingressar na Faculdade de Direito, no início da década de 1970, época em que para chegar na velha “Jaqueira” da Praça dos Remédios não era tarefa fácil. Lembro que as quatro matérias do vestibular eram eliminatórias. O candidato tinha que demonstrar conhecimentos em português, em uma língua estrangeira, filosofia e sociologia. E a regra era simples e bem o objetiva: só seguia no certame quem tivesse êxito em cada uma das disciplinas. E mais: os candidatos, em obediência a tradição, deveriam comparecer, para serem avaliados, devidamente trajados de paletó e gravata. E se a redação se apresentava como um forte obstáculo, mais difícil era conseguir superar a prova de filosofia. Para exemplificar, lembro de uma questão que deixou todo mundo aperreado: disserte sobre o pensamento filosófico de Immanuel Kant, figura destacada do Iluminismo.

Sobre o vestibular, como postulante a uma vaga no ambicionado curso de Direito, na expectativa de saber o resultado final com a lista de aprovados, resolvi me dirigir ao estúdio da Rádio Difusora. Lá eu teria acesso a todas as informações sobre os aprovados em todos os cursos da Universidade. Ao chegar ao segundo andar do prédio da emissora, que ficava na rua Joaquim Sarmento, número 121, me deparei com Ismael Benigno, diretor administrativo da rádio, que foi logo me informando e afirmando: você vai ter que resolver um problema de última hora. Foi logo dizendo que o José Maria Monteiro que deveria fazer a transmissão e divulgação dos nomes dos aprovados, por justificável razão, estava impossibilitado de cumprir a tarefa. Diante da situação, a missão sobrou pra mim. Naquele tempo o ingresso em qualquer curso de nível superior era motivo para grande comemoração. As rádios Baré, Rio Mar e Difusora interrompiam as suas programações para divulgar o resultado do vestibular. Eu ao mesmo que teria a oportunidade de ter acesso, com antecedência, aos nomes dos futuros universitários, tinha um receio na minha cabeça: a hipótese de reprovação me provocava angústia. Mas diante da situação, pensei: perdido por um, perdido por mil. Quem está na chuva é para se queimar.

Na sede da Universidade, na Praça da Saudade, obtive a lista e fiquei aguardado a autorização do Reitor para a divulgação. Mas a minha curiosidade prevaleceu e rapidamente encontrei meu nome dentre os aprovados. Por isso fiquei tranquilo, feliz e sorridente para iniciar a leitura dos nomes daqueles que teriam vagas garantidas nos diversos cursos. E, pausadamente, ia informando os nomes dos vitoriosos. No momento da divulgação da lista dos bem-sucedidos da nossa querida “Jaqueira”, ao chegar no meu nome, caprichei, empostei a voz e mandei: “e atenção, muita atenção, Nicolau Libório dos Santos Filho”. Quem estava na escuta do rádio percebeu que o nome anunciado era de um popular radialista que pretendia conquistar um espaço na área jurídica.(Nicolau Libório é Procurador de Justiça aposentado, Ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista) – 14.08.2026