
Em 1969 o Amazonas só contava com três emissoras de rádio: Baré, dos Diários Associados; Difusora, do jornalista Josué Cláudio de Souza e Rio Mar, da Arquidiocese, dirigida pelo padre Tiago de Souza Brás. A Rádio Tropical ainda era apenas um projeto do empresário Antônio Malheiros. A TV Ajuricaba, da família Hauache, chegava com as primeiras imagens em preto e branco da Globo. O grupo liderado por Phillipe Daou trazia, com a criação da TV Amazonas, a boa programação da TV Bandeirantes. E assim Manaus começava a sentir os primeiros sinais de prosperidade com a implantação da Zona Franca.
Em clima de forte otimismo, a cidade de 250 mil habitantes já tinha muitos motivos para acreditar que os ventos do progresso estavam chegando. As alternativas de entretenimento, no final de semana, se resumiam às sessões de cinema no Guarany, Polytheama, Odeon, Avenida, Vitória, Ideal e Popular. Ou com grande frequência ao estádio da Linha Circular, o famoso Parque Amazonense, ou ao estádio da Colina. O governador Danilo Duarte de Matos Areosa, para satisfação do presidente da FAF, Flaviano Limongi, dava a certeza que o estádio Vivaldo Lima, em curto espaço de tempo estaria servindo de palco para os grandes espetáculos do nosso futebol.
O tempo passou e, para que fique registrado, busquei no meu baú de recordações um fato ocorrido no tempo em que eu ganhava a vida como cronista esportivo. Lembro que no dia 19 de julho de 1969, na modesta sede da Rádio Rio Mar, localizada bem atrás do estádio do São Raimundo, no bairro da Glória, o saudoso amigo Luiz Eduardo Lustosa de Oliveira, chefe da equipe esportiva, promovia uma breve reunião para informar a todos como deveria acontecer o trabalho no dia seguinte. Por decisão de Erasmo Linhares, diretor de programação e de Amarílio Pinto, chefe do setor de jornalismo, a prioridade da emissora seria a chegada do homem à lua. O controlista de som estava autorizado a interromper, sem prévio aviso, a transmissão do estádio e colocar no ar a programação da Voz da América. E foi isso que aconteceu no dia 20 de julho, 57 anos atrás, às 16 horas e 17 minutos.
Lembro que Luiz Eduardo era o narrador daquele clássico Rio- Nal. Belmiro Vianez era o comentarista. Eu era o repórter de campo. Os torcedores espalhados pelas arquibancadas, com seus radiozinhos de pilha no ouvido, estavam ansiosos. O Nacional com Marialvo, Pedro Hamilton, Sula, Valdemiro e Téo; Mário e Rolinha; Zezé, Rangel, Pretinho e Pepeta. O Rio Negro com Clóvis, Edmilson, Maravilha, Valter e Chicute; Xerém e Ademir; Rubens , Santos, Carlos Alberto e Anísio. Tratava-
se de um jogo que reunia as duas maiores torcidas do Amazonas. Não havia favorito, havia um perfeito equilíbrio de forças entre as duas equipes.
O trabalho da equipe transcorria normalmente. Mas havia a certeza de que algo diferente deveria acontecer a qualquer momento. E aconteceu: a Apolo XI conseguia cumprir a difícil missão da NASA de levar os primeiros seres humanos à Lua: Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins. Armstrong foi primeiro homem a pisar em solo lunar, seguido por Buzz Aldrin, enquanto Michael Collins ficou orbitando a Lua no módulo comando Columbia.
E no momento da alunissagem, Carlos Alberto marcava o gol que abria a contagem para a vitória do Rio Negro por dois a um. Para todos os órgãos de comunicação, lógico, o fato mais importante era a missão espacial americana. Portanto, no momento em que Luiz Eduardo descrevia a bela jogada, a narração com o grito de gol foi interrompida. E foi exatamente por isso que esse golaço de Carlos Alberto foi lembrado pelos rionegrinos durante muito tempo como um fato não registrado. Mas o que está escrito na história, e ninguém esqueceu, foi a célebre frase de Armstrong, no momento em que colocou os pés no solo lunar: “um pequeno passo para o homem, um grande salto para humanidade”.(Nicolau Libório é Procurador de Justiça aposentado, Ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista) – 07.08.2026










