
Atualmente presidida pelo empresário e deputado estadual Ednailson Leite Rozenha, a Federação Amazonense de Futebol, que teve sua origem no bem sucedido movimento liderado por membros da Associação de Cronistas e Locutores Esportivos do Amazonas, chega aos 60 anos. Foi fundada no dia 26 de setembro de 1966 mas só foi reconhecida oficialmente pela Confederação Brasileira de Desportos, no dia 21 agosto de 1967.
Vale a pena relembrar que a ideia surgiu numa tarde ensolarada de domingo, no estádio da Colina, após um desentendimento entre Laércio Miranda, à época presidente da Federação Amazonense de Desportos Atléticos e o fotógrafo Fernando Folhadela, do matutino O Jornal. Laércio foi ríspido com Folhadela, que revidou bem no nível da grosseria recebida. O bate-boca, que parecia banal, resultou no posicionamento enérgico dos cronistas, que além de apoiarem o fotógrafo, deram início a um movimento para retirar o futebol do comando da Fada.
Na mesma tarde, Belmiro Vianez, João Bosco Ramos de Lima, Jayme Rebelo, Leal da Cunha, José Augusto Roque da Cunha, Carlos Zamith, Luiz Saraiva, Luiz Eduardo Lustosa de Oliveira, Irisaldo Godot, decidiram realizar uma reunião no ambiente da Rádio Rio Mar, que ficava no bairro da Glória, bem atrás do estádio. Eu estava presente. Após inflamadas manifestações dos presentes, foi deliberado que a entidade liderada por Laércio, a partir daquele momento não mais teria a cobertura das emissoras de rádio e dos jornais. E no calor dos discursos de forte teor emocional, Belmiro Vianez e João Bosco Ramos de lima, além de apoiarem o boicote, sugeriram a criação de uma nova federação para cuidar sobretudo do futebol profissional, recém implantado. Surge então o nome Flaviano Limongi, jornalista, homem com larga vivência na imprensa, empresário, advogado, com glorioso passado como goleiro do Tijuca e da seleção amazonense, com trânsito fácil em todas as camadas sociais, como a melhor opção para liderar um novo momento no nosso futebol. Limongi, na sua eficiente administração que durou oito anos, de 1966 até 1974, foi um exemplo de competência, dedicação, dinamismo e seriedade.
Durante esse tempo, Limongi foi o grande arquiteto de importantes eventos. Foi ele que estimulou o governador Danilo Duarte de Matos Areosa a iniciar a construção do estádio Vivaldo Lima, que na sua pré-inauguração, recebeu a seleção brasileira com Pelé, no dia 5 de abril de 1970. Também foi ele que conseguiu junto a CBD, de João Havelange, trazer para Manaus, em 1972, uma das sedes da Copa Independência, também chamada de Mini-Copa, oportunidade em que o público amazonense presenciou jogos das seleções do Peru, da Venezuela, da Bolívia, do
Paraguai e da Iugoslávia. Não podemos esquecer que na sua época o Amazonas, com Nacional, Rio Negro e Fast, integrava a elite do Campeonato Nacional. Os três clubes fizerem parte da primeira divisão.
Após Flaviano Limongi, sem o mesmo brilho mas com importantes contribuições, outros desportistas estiveram no comando da entidade que consegue, este ano, chegar a melhor idade. Vamos lembrar do engenheiro Paulo Roberto Braga, do magistrado José Luiz Ribeiro, do autônomo Joacy Alves Medeiros, do médico Belmiro Costa e do empresário Francisco das Chagas Valério Tomás, também chamado de Dissica. Para quem não sabe, Dissica é um apelido de infância, dado pelo seu irmão Plínio Valério, hoje senador da República.
E que a nossa FAF, amadurecida, cumpra a nobre missão para a qual foi criada. Parabéns!(Nicolau Libório é Procurador de Justiça aposentado, Ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista) – Manaus(AM), 18.10.2026










