
Vivaldo Palma Lima, que já havia exercido a presidência do Nacional Futebol, pretendia retornar ao cargo. E para atingir o seu objetivo, contava com o apoio dos jogadores, que à época tinham direito a voto. Mas a turma da situação, com a esperteza de quem não admite derrota, preparou a “pernada”, mudando as regras da eleição. Com a rasteira surpreendente, Lima que não era tão “vivaldo”, foi sufocado. Perdeu feio nas urnas para Jaime Vasconcelos. Entretanto, como não era homem de levar desaforo para casa, o médico e professor aplicou um golpe que balançou a estrutura do clube da estrela azul solitária. Fundou o Nacional Fast Clube, no dia 8 de julho de 1930, com as mesmas iniciais NFC e com uma estrela no escudo. Buscou no idioma inglês a palavra fast, que significa rápido, para demonstrar a todos que a nova agremiação tinha o propósito de revolucionar o futebol da época. Da fundação ao primeiro título foi uma longa e sofrida caminhada. Isso só foi possível em 1948 graças ao empenho do professor João Liberal, que assumiu o comando técnico da equipe.
É bom lembrar que, por um longo período de tempo, o clube de João Sena, Vicente Mendonça Júnior, João Braga Júnior, Mário Nogueira, Luiz Gonzaga de Souza, Jonas Martins Lopes, Osvaldo Sampaio, Lafayete Vieira, Rubem Melo, Antônio Petrúcio (pai dos Piola) Alberto Carreira, Luiz Alberto Aguiar, Orleans Nobre, Félix Valois, já teve dias de paraíso, mas diante das dificuldades sempre reuniu forças para suportar os longos períodos de inferno astral.
O clube que conseguiu abrigo em imóveis alugados na rua J. Carlos Antony no bairro Cachoerinha, na 24 de Maio – no centro, na Leovegildo Coelho, e outros lugares de Manaus alimentava o desejo de ter um teto para chamar de seu. Quando ainda tinha como sede um imóvel cedido pelo diretor João Sena, na rua Leovegildo Coelho, os ardorosos torcedores-dirigentes Orleans Nobre, Luiz Alberto Aguiar e Osvaldo Sampaio (o Purgante) começaram a procurar um terreno para a construção da moradia do tricolor. Mas também só havia boa vontade e, infelizmente, com essa moeda não se consegue comprar nada. De qualquer maneira o tal terreno foi finalmente encontrado. Pertencia ao sêo Acendino, local onde eram fabricadas tigelinhas, para extração de látex. Orleans já andava meio desiludido. Luiz Alberto, que à época era gerente do Banco Sul Brasileiro, procurava ser otimista, mas só otimismo não operava milagre. E, por isso, os dois, ficaram esperando que Deus desse bom tempo.
Finalmente a sorte chegou. Um certo sábado à tarde, no saudoso Parque Amazonense, em 1966, conseguiram convencer o empresário Ézio Ferreira, que era torcedor do Rio Negro, a colaborar com Fast. Ézio aceitou o convite e o desafio de
mudar a triste realidade fastiana. O convidado foi eleito presidente e transformou o clube numa grande força do futebol amazonense.
Ézio Ferreira, além de garantir a contratação de jogadores qualificados, deu o pontapé inicial para a construção da sede. Contou com a ajuda dos empresários Rubem Melo e Jonas Martins Lopes e, na metade do ano 1967, inaugurou a tão sonhada sede social.
Mas com o passar do tempo, em razão das desastradas administrações, o clube voltou a conviver com as dificuldades do passado. Com a multiplicação dos problemas a sede, que simbolizava o resultado da persistência, deixou de ser o domicílio de um clube tão amado pelos seus verdadeiros torcedores. Hoje quem passa pelo Boulevard Álvaro Maia, antes Boulevard Amazonas, nem sabe ou não lembra do local de moradia de um dos mais tradicionais clubes do Brasil.(Nicolau Libório é Procurador de Justiça aposentado, Ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista) – Manaus-AM, 02.10.2026










