
Acreditar ou não acreditar, eis a grande questão. Está ficando difícil acreditar na seleção brasileira nesta vigésima terceira edição da Copa do Mundo. Sem pessimismo exacerbado e tampouco otimismo inconsequente, o momento exige análise serena com base na realidade que vivemos. Venho repetindo que a safra de bons jogadores de nível técnico elevado é bastante escassa. Sobretudo em relação ao setor defensivo, que demonstrou fragilidade nos amistosos contra Panamá e Egito, sofrendo gols perfeitamente evitáveis.
Outra situação que muito me incomodou foram as muitas substituições feitas nos dois jogos. Não dá para acreditar que o objetivo foi realizar testes, pois afinal de contas após a última peneirada não há o que avaliar com relação a qualidade técnica dos convocados. Confesso que fiquei confuso quando vi mudanças tão numerosas do primeiro para o segundo tempo. Essa atitude do técnico me passou a impressão das suas incertezas. Não consigo acreditar que ele teve o propósito de confundir o raciocínio dos adversários. Cheguei a comentar com amigos: ou Ancelotti é um gênio ou não tem convicção do que está fazendo. Prefiro ficar com ideia de que ele, inteligente que é, esteja preparando estratégia para surpreender os adversários. Tomara que seja assim.
Uma outra situação que vem deixando o torcedor apreensivo é sobre a recuperação de Neymar. As especulações dão conta que ele estará apto a entrar em campo a partir do segundo jogo. Há quem aposte que poderá jogar 30 minutos no segundo tempo do segundo jogo. As especulações exageradamente otimistas projetam a participação do ídolo santista a partir do primeiro jogo. A minha crença é que Neymar estará em campo a partir do jogo contra o Haiti, sobretudo se o time canarinho obtiver um resultado satisfatório contra o Marrocos. E tem mais: se o Brasil for infeliz nos dois primeiros jogos, sinceramente, não haverá justificativa para a sua escalação. Ele não merece encerrar a carreira de forma melancólica.
Como nasci otimista e por ter convicção que o trabalho sério e bem planejado é a grande alavanca para alcançar o sucesso, tenho certeza que todo esforço dos médicos e fisioterapeutas será recompensado. E com Neymar em campo, no tempo certo, sem ter a preocupação de marcar e com liberdade para driblar e preparar assistências, o time de Ancelotti passará a ser visto como vencedor, temido pelos adversários.
Mas para justificar o título do texto Memórias das Copas, faço questão de lembrar que o Brasil passou a utilizar a tão famosa camisa amarela a partir da Copa realizada na Suíça em 1954, pois nas Copas de 1930, 1934, 1938 e 1950, o uniforme
era todo branco, com o escudo da Confederação Brasileira de Desportos no lado esquerdo da camisa. O uniforme branco foi abolido depois do grande desastre do Maracanã, na inesquecível derrota para o Uruguai por dois a um. Já de amarelo, o time brasileiro foi eliminado, em 1954, nas quartas de final pela Hungria por 4 a 2, em jogo bastante tumultuado. O novo uniforme, com a camisa amarela e as demais cores da bandeira brasileira nos calções e meiões, foi criado pelo jornalista gaúcho Aldyr Schlee, vencedor de um concurso instituído pela CBD, em 1957. Mas a primeira conquista mundial aconteceu com a camisa azul, na Suécia. Como na música do saudoso cantor Wilson Simonal, “vestiu azul, sua sorte então mudou”. E como mudou. Mas a camisa azul nasceu do improviso. Na decisão da Copa de 1958, a Suécia, sede do evento, jogaria com camisa amarela. O Brasil que vinha jogando sempre de amarelo teria que dar o seu jeito. Foi aí que o presidente da delegação brasileira Paulo Machado de Carvalho buscou inspiração na sua religiosidade. Decidiu comprar camisas azuis, para homenagear o manto de Nossa Senhora. E não foi fácil resolver o problema. A emergência obrigou o massagista Mário Américo passar uma tarde e metade da noite costurando os números e os escudos da CBD no novo manto sagrado do futebol brasileiro. Com a ajuda divina tudo termina dando certo. Valeu a pena!(Nicolau Libório é Procurador de Justiça, Ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista.) – 12.06.2026)










