
O carioca Wuppschlander Lima foi o primeiro narrador esportivo da história no Amazonas. Ele resolveu acrescentar algo diferente na programação da Voz da Bariceia, primeira emissora de rádio, criada pelo telegrafista Lizardo Rodrigues. É óbvio que a audiência era muito resumida e só era possível para alguns poucos abastados que tinham possibilidade de adquirir receptores. Mas o importante é que surgia uma nova alternativa de entretenhimento para distrair os habitantes de Manaus. Lizardo resolveu negociar com o governo do estado, transferindo a incipiente emissora que passou a atender os interesses da Interventoria de Álvaro Maia, sob a direção do advogado Gebes Medeiros.
Para quem não sabe, a Voz da Bariceia virou Rádio Baré em 1943, passando a integrar a rede de emissoras dos Diários Asociados, do empresário Assis Chateaubriand. O catarinense Josué Cláudio de Souza, que chegou a Manaus para dinamizar dirigir e dinamizar a emissora de Chateaubriand, decidiu, em 1948, fundar a Rádio Difusora, enquanto os irmãos Archer Pinto, com o apoio do empresário Charles Hamu (dono das lojas Credilar), inauguraram a Rádio Rio Mar em 1954.
As três emissoras, em uma época de escassos patrocínios e que o amazonense não aquinhoado só conhecia televisor por fotografia, disputavam a preferência dos ouvintes. A salutar rivalidade marcava o início da fase de ouro da radiofonia amazonense.
A semente plantada por Wuppschlander começou a germinar. A sua ideia envolveu jovens sonhadores e as resenhas esportivas e transmissões de jogos começaram a multiplicar ouvintes e a revelar nomes que se confundem com a própria história do esporte amazonense.
A lista de sonhadores é imensa: Flaviano Limongi, Djalma Dutra, Leal da Cunha, Luiz Verçosa, João Bosco Ramos de Lima, José Saraiva, João dos Santos Pereira Braga, Belmiro Vianez, Edson Paiva, Álvaro Jorge, Luiz Eduardo Lustosa de Oliveira, José Augusto Roque da Cunha, Messias Sampaio, Mendes Amazonas, Teófilo Mesquita, Francisco Marinho, Joaquim Marinho, Francisco Puga, Romário Simões, Deusdeth Simões, Jayme Rebelo, Carlos Carvalho, Carlos Zamith, Luiz Saraiva, Arnaldo Santos, Raimundo Moreira, Osias Santiago, J. Nunes, Lairto Veloso, Flávio Seabra, Flávio de Souza, Airton Brito, Lírio Barbosa, José Rayol, Mário Emiliano, Ary Neto, Lauro Henrique, Nonato Farias, Geraldo Viana, Eduardo Monteiro de Paula, Ernani Silva, Rômulo Gomes, Ernesto Guerra, Nonato Oliveira, Jayme Barreto, Luiz Rougles, Orlando Rebelo, Ruy Mário, Wilson dos Anjos, Jander Santos, Amandio Costa. Valdir Correia, José Almeida, Antenor Gonçalves, Chagas Barbosa, Laédio
Miranda, Josué Filho, Aguinelo Oliveira, Gaudêncio Neto, Paulo Soares, Mário Jorge Costa, Osny Araújo, Carlos Alberto Silva, Leonardo Marinho, Ivã Guimarães, Stanley Wibe, Luiz Amora, Sérgio Cardoso, Antônio Lins, Ronaldo Tiradentes, Marcos Santos, foram alguns dos companheiros que viveram, como eu, agradáveis momentos nas alegres tardes de domingo, quando o futebol despertava paixões e lotava estádios, com o Rio-Nal, Pai-Filho, Galo Preto e outros jogos que eram verdadeiros clássicos. Tinhamos a Colina e o Parque Amazonense, depois Vivaldão, mas tínhamos, sobretudo, entusiasmo para promover os jogos, porque o rádio era o grande veículo de comunicação de massas, em qualquer horário. O tempo passou, a televisão chegou e ganhou espaço, e muitos dos companheiros, por uma ou outra razão, saíram de cena. Alguns para sempre. Outros decidiram aproveitar os finais de semana ao lado de suas famílias. Mas todos convencidos de que a nova geração de narradores, comentaristas, repórteres e plantonistas viessem, com obstinação, dar continuidade ao trabalho iniciado pelo saudoso Wuppschlander Lima. Entretanto, como se sabe, a renovação foi bastante tímida.(Nicolau Libório é Procurador de Justiça aposentado, Ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista.) – Maanaus(AM), 09.10.2026










