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Neymar foi convocado – Por Nicolau Libório

ARTIGOS/DR. NICOLAU LIBÓRIO(AM)

Ufa, até que enfim! Contrariando o desejo enviesado de um pequeno e ruidoso grupo da crônica esportiva que, com desfaçatez, fazia campanha para influenciar na lista do técnico Carlo Ancelotti, Neymar foi convocado.

No momento em que as atenções do público estavam quase que cem por cento voltadas para política, o nome Neymar conseguiu mudar o rumo da prosa. E, de repente, uma avalanche de críticas, um jogo sujo, uma campanha cretina, começaram a ganhar espaço no meio da crônica “especializada” com o propósito de destruir a carreira do atleta do Santos.

Figuras da área artística e outros nomes da mídia, desprezando o bom senso e seriedade, não mediram esforço para nodoar a imagem de um ídolo admirado pela maioria da população brasileira. Estava mais do que evidente que a conduta raivosa estava (ou está) amparada em uma ideologia política-partidária. As críticas insensatas passavam ao largo da seriedade e honestidade intelectual. A intenção desses especialistas, com a clareza do sol do meio dia, era dificultar a inclusão do “menino da Vila Belmiro”, na lista de Ancelotti.

Até a arbitragem do jogo Coritiba e Santos, por imprudência, negligência ou alguma razão bizarra, decidiu oferecer a sua contribuição para o sucesso dessa empreitada destrutiva. Refiro-me ao episódio desse último jogo em Curitiba, em que a lambança tirou Neymar do gramado. O estranho comportamento do quarto árbitro resultou na saída do número 10, quando o jogador a ser substituído era Escobar, que vestia a camisa 31.

Esse imperdoável erro me fez lembrar a letra de uma música do irreverente grupo Mamonas Assassinas, na década 1990, em que a esposa, em um instante de intimidade “confunde o nome do marido Dejair com João do caminhão”. Engano assim dá margem para justificável desconfiança. O fato da substituição forçada aconteceu um dia antes da convocação para a Copa do Mundo. Dá para acreditar em perseguição, implícita ou explícita, porque alguém com poucos neurônios jamais confundiria 10 com 31. Felizmente as intenções eivadas de viés ideológico não conseguiram o intento desejado, apesar do esforço maldoso.

Ao lado do perseguido estiveram e estão jogadores, nomes destacados do jornalismo sério, torcedores de diferentes preferências clubísticas e, principalmente as crianças que têm admiração e respeito pelo bem sucedido atleta.

Entendo que a convocação de Neymar aconteceu por importantes razões: é agregador, tem fama e prestígio mundial, tem uma carreira marcada pelos objetivos alcançados, e também, pela sua inquestionável capacidade técnica. É um nome que impõe respeito aos adversários, com capacidade para decidir uma partida. E para quem não lembra, Neymar e o escrete brasileiro trouxe o título inédito dos Jogos Olímpicos em 2016.

Neymar, com setenta por cento do seu condicionamento físico consegue ser superior a qualquer atacante relacionado pelo italiano Ancelotti. É preciso entender ainda que se Romário, em 1994, tinha Bebeto como parceiro; se Ronaldo Fenômeno contava com Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho em 2002, Ney ainda não tem um companheiro com qualidades para uma eficiente parceria. Se ele vai ficar no banco de reservas, se vai jogar 30 minutos, se vai participar do jogo todo, o tempo nos dará a resposta. Bem fisicamente, sem qualquer sombra de dúvida, ele poderá conduzir o time para resultados positivos, porque o seu repertório de dribles, assistências, cobranças de faltas, é bastante vasto.

Tenho certeza que o futebol não se assemelha à matemática, não pode ser visto como ciência exata. E, por isso um time com possibilidade de improvisar jogadas, pode levar vantagem diante de adversário sem criatividade, que se limita a jogar conforme o manual.

A Copa está chegando, a convocação de Neymar resultou no interesse dos torcedores e, pela lógica, a seleção brasileira não terá grandes dificuldades contra Marrocos, Haiti e Escócia. Mas o passos seguintes prometem grandes obstáculos. Depois dessa primeira fase de classificação, começará o salve-se quem puder. Quem não reunir grandes virtudes terá que voltar prá casa mais cedo. O torneio que começará dia 11 de junho terá a grande final no dia 19 de julho. Espero que o time brasileiro esteja apto a permanecer na disputa até o jogo de encerramento, em condições de ter motivos para comemorar o hexacampeonato.(Nicolau Libório é Procurador de Justiça aposentado, Ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista) – 22.05.2026