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Os gols e a animação da Copa – Por Nicolau Libório

ARTIGOS/DR. NICOLAU LIBÓRIO(AM)

Independente do desempenho da seleção brasileira, estou muito satisfeito com a fase inicial desta vigésima terceira edição da Copa do Mundo. Uma competição que está oferecendo o que o torcedor mais deseja: o gol. O gol confraterniza, empolga, demonstra esperança e quase sempre garante o regozijo. Um misto de alegria e de ódio, o gol é também um desabafo, uma manifestação de amor, uma festa para os olhos e para alma do povo. Gols de cabeça, de canela, de craques e desengonçados, pouco importa. O que vale é o clima. Nada mais espontâneo do que um grito de gol. É uma manifestação pura, sincera, descompromissada com a razão, pois é impulsionado por um sentimento muito forte que é a paixão. Não há dúvida, portanto, que o gol é o ponto alto do espetáculo.

A Copa de 2026 tem sido generosa com torcedores. Nos Estados Unidos, Canadá e México, os gols vão acontecendo. E, de acordo como previsto por quem entende de futebol, os artilheiros mais proeminentes estão mostrando ao mundo que, quem sabe, sabe. Quem não sabe, aprenda ou bata palmas.

Começo fazendo referência ao grande astro do futebol argentino, o genial Messi, indiscutivelmente o grande nome do futebol sul-americano. Dribla fácil, tem visão de jogo, dá assistência, marca com regular eficiência e, para completar o seu repertório tem feito gols incríveis. Já é o maior artilheiro do torneio da FIFA, com 18 gols, superando o alemão Klose. No Catar, na conquista da Argentina, conseguiu colocar a bola da rede por 7 vezes e, agora, já chegou a 5 gols, numa boa disputa com o francês Mbappé. A torcida argentina vive um momento de êxtase com o seu grande ídolo do momento.

Mbappé é o garoto que surgiu para encantar o mundo e principalmente os franceses, que já comemoraram grandes momentos com Zinedine Zidane, Michel Platini e Thierry Henry. Mas não podemos nos esquecer de Just Fontataine, com inesquecível marca de 13 gols no mundial de 1958, na Suécia. O artilheiro do time francês filho de pai camaronês e mãe argelina, ex-jogadora de handebol, nasceu no subúrbio de Paris, começou sua vitoriosa caminhada no Mônaco, destacando-se na Copa de 2018, na Rússia. Não é apenas um craque, é um jogador diferenciado, fora de série. Dribla fácil, dá passes inteligentes, dá combate quando é preciso e, para completar, não cansa de fazer belos gols.

Eu não poderia deixar de citar Salah, o brilhante atacante do Egito, Ele foi figura destacada na primeira vitória de seu país em Copas do Mundo. Foi autor de um belo gol contra Nova Zelândia, por 3 a 1, na virada histórica, que permitiu para que a

torcida egípcia continue sonhando com a possibilidade de se posicionar entre as melhores seleções do planeta.

E como é possível esquecer de Haaland, nome respeitado do cenário mundial, que dá motivos para que a Noruega alimente a possibilidade de alcançar o título. Está jogando bem, tem atormentado a vida dos zagueiros, tem feito gols incríveis e, inegavelmente, pode ser citado como um dos melhores jogadores da competição. Lembrete: em 4 jogos contra Brasil, venceu 2 e empatou duas vezes. Nunca perdeu para o escrete brasileiro.

Nem de longe pretendo criticar Cristiano Ronaldo. Ele já demonstrou que é jogador de primeira qualidade. Sabe o que fazer com a bola. Tanto é verdade que já vem mostrando a sua competência como goleador. Basta que o time português cresça em campo para que o R7 mostre que ainda tem vontade e disposição para continuar entregando o que tem de melhor: gols.

Quanto ao Brasil, com exceção de Vini Júnior, não há um grande destaque. Mas o time está em fase de evolução. Poderá evoluir no decorrer dos jogos e trazer de volta a confiança da torcida brasileira.

Mas o futebol tem suas atrações extras. E não é de agora. Na Copa de 1950, no Brasil, milhares de vozes cantavam em tom de provocação a marchinha “Touradas em Madri”, com gritos de olé na impiedosa goleada de 6 a 1 que a nossa seleção, que ainda jogava de branco, aplicou no escrete espanhol. Em 1986, na Copa realizada no México, surgia a famosa Ola, movimentos em forma de ondas, numa contribuição das arquibancadas para embelezar o espetáculo.

Agora surge a remada dos torcedores da Noruega, relembrando os Vikings, nas suas embarcações de madeira, que reunia grandes guerreiros, em expedições marítimas em busca de grandes conquistas. Nas arquibancadas, a exemplo dos antepassados, decidiram contribuir com uma bela coreografia, de forma sincronizada, numa bonita simulação dos valentes ancestrais. Enfileirados, sob o toque de caixa, e com fortes e altos gritos, premiaram o mundo com as belíssimas” remadas”. Está valendo a pena assistir a vigésima terceira edição da Copa do Mundo.(Nicolau Libório é Procurador de Justiça aposentado, Ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista.) – 26.06.2026