
Vivemos as emoções da vigésima terceira edição da Copa do Mundo, acontecendo nos Estados Unidos, Canadá e México. Dos 48 times presentes à competição, a maioria é coadjuvante desse grande espetáculo, em que poucos podem alimentar a esperança de conquistar o troféu. Estados Unidos, um dos anfitriões começou bem, massacrando o Paraguai por quatro a um, mas não conseguiu demonstrar aptidão para ser protagonista. O placar elástico conseguido pela Alemanha, diante do debutante Curaçao, me fez lembrar o trágico momento em que a seleção brasileira foi humilhada em pleno estádio Mineirão, em 2014, com o fatídico sete a um. Não podemos ignorar a belíssima atuação do Japão contra a forte Holanda, conseguindo o empate nos momentos finais da partida.
Mas tenho certeza que o que está interessando ao nosso torcedor é a seleção brasileira. Todos querem uma resposta do técnico Carlos Ancelotti, que assistiu muitos jogos, observou a atuação de vários jogadores, fez muitas convocações sem, contudo, chegar a uma definição baseado na lógica. Foi isso que foi visto na estreia contra o Marrocos, que na teoria parecia modesto, nas análises de muitos especialistas da crônica a esportiva, e que provou nos 90 minutos que não é nada inferior ao time canarinho.
Entendo, que cada jogo é um jogo diferente, podendo ser melhor ou pior. Como sou otimista, prefiro acreditar que na partida desta sexta-feira, a coisa possa se encaminhar de forma diferente. Tudo dependerá da definição da equipe que estará presente contra o Haiti, adversário aparentemente frágil. Mas nem tudo é o que parece, pois demonstrou valentia na estreia diante da Escócia, perdendo por apertado escore e que agora virá disposto a conquistar três pontos para manter a esperança de classificação para a próxima fase.
Li e ouvi muitos comentários a respeito do jogo contra Marrocos. A expressiva maioria ficou decepcionada com o que viu. Uma defesa insegura, um meio campo apresentando fragilidade, sem inspiração e no ataque, para o nosso desalento, o tão badalado Raphinha teve um desempenho bem distante da sua real capacidade técnica. Felizmente, em um dos poucos lampejos de craque, Vinícius Júnior nos presenteou com o solitário gol salvador. Foi o único momento diferente, pois a equipe, mesmo com as cinco substituições efetivadas, esteve distante do saudoso futebol brasileiro.
Sobre as substituições, sinceramente, não contribuíram para um melhor desempenho. E o que chamou a atenção de todos foi o fato do garoto Endrick, de 19 anos, ter sido ignorado pelo treinador. Aqueceu, acreditou que teria chance de demonstrar a sua capacidade já demonstrada no exterior, teve que se contentar com a condição de reserva de luxo. Eu não entendi e poucos entenderam porque Ancelotti prescindiu, naquele momento, de uma peça importante com capacidade de mudar o rumo dos ventos. Há quem acredite que o treinador ache o garoto ainda imaturo para enfrentar momentos difíceis. Outros especulam sobre a inviabilidade de adaptação ao esquema tático.
Faço questão de lembrar que Pelé, em 1958, com apenas 17 anos, entrou fazendo gol contra o País de Gales, fez três gols contra a França, na goleada de cinco a dois e, na grande final contra a Suécia, marcou dois gols na goleada de cinco a dois. Portanto, sem a menor dúvida, é hora de dar uma oportunidade para o Endrick. E mais: Neymar tem que entrar no time imediatamente. Mesmo que não esteja cem por cento fisicamente. Ele, com o seu vasto repertório da jogadas, é capaz de mudar a imagem do time de Ancelotti, que precisa provar que realmente é um treinador diferenciado.(Nicolau Libório é Procurador de Justiça aposentado, Ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista.) – 19.06.2026










