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Parabéns, Espanha ! Por Nicolau Libório

ARTIGO/Dr-NICOLAU-LIBORIO(AM)

Nunca acreditei em destino. Sempre entendi que o sucesso depende de planejamento, organização, disciplina, persistência, visão de futuro e estratégia. Foi assim que a seleção espanhola pavimentou o caminho para chegar ao título da vigésima terceira edição da Copa do Mundo. Foi um time determinado, consciente das dificuldades, resiliente, sem se afastar do seu estilo de jogo, independente da maneira de jogar dos adversários. Foi assim que conseguiu atingir o seu propósito, sem depender do acaso.

Basta que se observe a campanha de bons resultados nos oito jogos do torneio. Vejamos: venceu a Arábia Saudita por quatro a zero, Uruguai por um a zero, Áustria por 3 a zero, Portugal por um a zero, empatando em zero a zero com Cabo Verde, superando a Bélgica por dois a um, impondo um dois a zero em cima da França e, finalmente, superando a Argentina por um a zero. Empatou um jogo, venceu sete, tendo sofrido apenas um gol e por isso destacou-se como a melhor defesa dentre os quarenta e oito participantes.

O famoso tiki-taka da Espanha não surgiu agora, pois a “Furia Roja” já se utilizava desse estilo de jogo desde a primeira conquista, em 2010, na África do Sul quando, com inquestionável mérito, venceu a Holanda na prorrogação por um a zero, com um gol histórico de Andrés Iniesta. Essa maneira de jogar caracterizada por passes curtos, movimentação rápida e manutenção da bola, foi criada por Pep Guardiola, no Barcelona. Aliás, na época havia quem afirmasse que a Espanha não tinha pressa para ganhar. Se vencesse por um a zero já seria goleada.

No jogo de domingo temos que reconhecer que a seleção espanhola foi dominadora. Impôs o ritmo de jogo desde o primeiro momento, valendo-se de um toque de bola envolvente, com chance de garantir um folgado escore no tempo regulamentar. Até mesmo na fase de prorrogação não se deixou abalar, quando já era visível a intenção da Argentina de decidir o jogo na cobrança de pênaltis.

Quanto aos protagonistas da Copa, tudo aconteceu dentro do previsível: Kylian Mbappé foi o artilheiro com dez gols, seguido por Messi com oito, Erling Haaland e Jude Bellingham com sete e, com seis gols, destacaram-se Ousmane Dembélé e Harry Kane. E a Espanha que tinha Lamine Yamal como provável protagonista, teve como principal artilheiro o centroavante Mikel Oyarzabal com apenas 5 gols. Fica evidente que a Espanha venceu com o futebol solidário, coletivo. Pelo que jogou na competição, Lamine pode ser visto como uma estrela que terá muito destaque no futuro.

Quanto ao Messi, com os gols espetaculares que marcou e pela trajetória profissional vitoriosa, dispensa questionamentos. É um jogador habilidoso, criador de belas jogadas, que conhece como poucos os espaços do campo e que jamais se negou a lutar. Na decisão contra a Espanha foi rigorosamente marcado, não contando com o auxílio dos seus companheiros para ensaiar qualquer jogada que permitisse chegar ao gol adversário. Mesmo sentindo o sabor amargo da derrota, Messi tem que ser considerado um vencedor. Por tudo que fez pelos muitos gramados que pisou, pode ser considerado como um dos melhores jogadores do mundo, atualidade.

Mas a Copa acabou. Quem venceu, sorriu. Trocou abraços, recebeu elogios, comemorou. Quem perdeu viveu o seu momento de tristeza, de lágrimas, de mágoa. Daqui a quatro anos teremos a vigésima quarta edição do torneio da FIFA, que estará completando um século de existência. E que no Brasil surjam novos talentos, porque com a safra atual não dá para alimentar ilusões.(Nicolau Libório é Procurador de Justiça aposentado, Ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista) 24.07.2026