Críticas raivosas não ajudam – Por Nicolau Libório

ARTIGOS: Dr-NICOLAU-LIBORIO(AM)

No curto período de tempo que antecede o início da vigésima terceira edição da Copa do Mundo, o futebol brasileiro vive as dificuldades para a formação de uma equipe apta e competitiva. O Brasil, detentor de cinco títulos mundiais, não pode se contentar com a condição de mero participante. Não basta participar, porque além de competir, o futebol da pátria de chuteiras tem o dever de vencer. Esse é o desejo do brasileiro que gosta de futebol.

Mas, infelizmente, temos que admitir que a safra de grandes talentos já não faz parte da atual realidade. Encontrar, no momento, jogadores do nível de Rivelino, Jairzinho, Garrincha, Gerson, Tostão, Carlos Alberto, Zico, Bebeto, Rivaldo, Romário, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Pelé é puro devaneio. Tanto é verdade que o torcedor é capaz de citar os nomes dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal, mas não terá a mesma facilidade para definir a formação do escrete nacional. Por isso, nos queixamos da inexistência de jogadores que possam fazer a diferença. Jogadores com capacidade de decisão.

Diante desse quadro, nada auspicioso, surgem as opiniões de “especialistas”. Algumas com certa coerência, outras nem tanto, mas o que chama a atenção são as críticas desprovidas de bom senso, de estímulo, ácidas, raivosas, tendo como alvo o jogador Neymar Jr. Tem gente que não sabe dizer quantos lados têm uma bola, que nunca jogou nem em ”peladas” de rua, mas que se acha no direito de proferir opiniões ofensivas, com o claro objetivo de impossibilitar a convocação do dono da camisa 10 do Santos. Tenho lido opiniões eivadas de recalques, contaminadas pelo ressentimento, que em nada contribuem para o sucesso.

Está bastante evidente que as “análises” negativas sobre as condições físicas e técnicas de Neymar tem propósitos subalternos, infeccionados por ideologia mofada, embolorada, ultrapassada. Portanto, pelo menos para mim, comentários destrutivos têm o mesmo valor de uma cédula de três reais. Não tem qualquer importância.

Entendo que a seleção brasileira necessita de alguém diferenciado na sua linha ofensiva. Até agora não me convenci que entre os frequentes convocados haja alguém com capacidade de impor respeito às defesas adversárias, de decidir, de fazer a diferença nos momentos difíceis. Por isso, gostem ou não, Neymar, mesmo fora da sua melhor condição física, ainda continua sendo o maior destaque do futebol brasileiro. Sobretudo pela sua capacidade criativa, pelo seu repertório de belas jogadas, pelas assistências, pela excelente visão de jogo e pelo que representa no cenário mundial.

Tem gente por aí, pelas esquinas da vida, em tom raivoso, que tem afirmado que se o Neymar for convocado não assistirá a Copa. Não se trata, portanto, de uma posição lúcida, séria, honesta, com o mínimo de nobreza. Trata-se de um posicionamento político- ideológico que evidencia um poço de mágoas. Para divergir, o ex-jogador Vampeta, na sua santa irreverência, já garantiu que se Neymar ficar de fora, ele também terá o direito de não prestigiar a seleção. Diante desse quadro, eu já passo a ter certeza que o mundial da FIFA não será a grande atração para os brasileiros. Tudo indica que a preferência será pela disputa eleitoral. Mas eu ainda acredito que o técnico italiano não seja burro. Ele sabe que se não contar com um jogador fora de série em campo, as dificuldades serão bem maiores. A vaca poderá ir para brejo muito mais cedo.(Nicolau Libório é Procurador de Justiça aposentado, Ex-Delegado de Polícia, Jornalista e Radialista) – Atualizando(12.05.2026)